Inventar uma história de vida trágica de fazer chorar as pedras da calçada e dar ar de vítima de alguém que elogiou durante uns tempos por puro oportunismo para fazer-se notar - enxovalhando de modo cínico os que de facto conhecem as dificuldades e os que na realidade foram agredidos por crápulas. Criar intriga pela calada e mostrar-se mui cordata em público. Conseguir intimidade à custa de burla. Fazer joguinhos de esconde-esconde fabricando artificialmente mistério pimba. Elogiar o trabalho de uma qualquer figura pública das tribos de interesse e dar a entender que é muito conhecedora do seu trabalho. Dar o ar que lê muito e é muito tolerante. E vanguardista no pensamento: defenderá as mulheres, os pobrezinhos e os gayzinhos todos muito coitadinhos de quem é muito amiga e a quem dá sempre a esmola - sabe-se lá porquê na sua retórica eles nunca surgem resolvidos e felizes, nunca são capazes e dignos, precisando sempre da sua bondosa acção.
Et Voilá mais uma futura coqueluche do mundo de vedetas nacionais. Quando aprender a pensar e a escrever vai vender livros à fartazana, com direito a apresentações muito publicitadas e orientadas pelos nomes mais badalados da praça portuguesa. Se não quiser dedicar-se aos livros, pode dedicar-se a perorar na televisão a dizer inanidades, terá a claque assegurada entre a tribo intelectual nacional.
É tiro e queda: a rota do sucesso do gueto que nos mantém na mediocridade. Multiplicam-se vedetas desde calibre.
Ah, esqueci um pormenor. A figura recém alçada à ribalta mostrar-se-á sempre muito agradecida em público à figura pública que notou tão grande talento - nomeará o seu nome de cada vez que aparecer como se estendesse a moedinha do dízimo. O vip em causa engordará em protagonismo, audiência e vendas e quase enfartará orgasticamente o ego. Afinal isto das capelinhas é uma religião. Sinal de nobreza da carácter, ser agradecido - correrá a ideia entre as hostes benfeitoras. E citará Eça com toda a certeza como selo de certificação de inteligência e erudição. Ou outro autor que esteja na berlinda, tudo o que interessa é dar o ar de pé dentro do clube e não possuir um átomo de pensamento próprio.
E claro aqui nas Comezinhas só há ressabiamento e inveja de tanto talento, rigor e trabalho. Bem se sabe quão mesquinha é esta que vos escreve.
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Sejam todos muito felizes e bem-vindos à realidade portuguesa.
Cada vez mais feita de gente rasca e manipuladora.
Continuem a consumi-la até à estupidificação final. Continuem a fazer de conta que não reparam no bullying dissimulado que é feito a quem não cede à chantagem desta podridão. Os sedutores/agressores useiros e vezeiros na imitação disfarçada estão aí prontos a destruir e pilhar tudo quanto de valor haja no país, fazendo-o confundir com normal e legítima inspiração, com o vosso silêncio cúmplice.