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28/04/2024

Fim-de-semanário

Tem sido um fim-de-semana alargado diferente. Passei-o quase integralmente a planear uma mudança hipotética. Hoje irei ter a conversa definitiva. Como é hábito antecipo. Ponho nos pratos da balança prós e contras, antevejo todas as alterações necessárias, todas as variáveis a equacionar. Pelo meio levanto vôo e devaneio muito. Logo em seguida finco os pés no chão e começo a ponderar os aspectos realistas. O devaneio faz-me muitíssimo feliz, os pés no chão trazem-me solidez.


Depois de dias de muita conjectura, ontem antes de dormir procurei informação objectiva acerca da situação material em causa. Fiquei quase sem chão. Tinha avaliado mal um dado muito importante da equação. A realidade é diferente do que pensava. Além de extrapolar para outras situações da vida, que agora não vem ao caso, senti o esboroar do que me parecia quase certo.


Ainda assim a intuição diz-me que tudo está no caminho certo e por incrível que pareça acredito ou sinto que o instinto pode sobrepor-se à razão. Claro que em seguida um terceiro olhar ajuizador faz-me perceber que não tenho mão no futuro e não posso conhecê-lo antecipadamente. A vida faz-se vivendo. E é assim.


Preparo-me para as duas hipóteses de desfecho, sabendo que pode haver uma terceira ou quarta. Logo se verá. Mas a felicidade de devanear e planear ninguém ma tira e tem sido assim que, bem ou mal, tenho percorrido a vida. Como o caracol.