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18/04/2024

Música

Não compreendo nada de música senão o efeito que tem nos meus neurónios e em consequência na disposição. Nos últimos anos ganhei o hábito de ouvir música nos auriculares enquanto trabalho. Isto para lá do já costumeiro rádio no corredor no local de trabalho ou na sala em casa. Desde que tenho memória oiço música na rádio – desde bebé a minha mioleira funciona com esse combustível.


Vem isto a propósito de hoje ter tentado pôr como banda sonora da manhã de trabalho uma qualquer selecção de hits dos últimos anos. Rolava Rihanna, Ed Sheeran, Adele, Selena Gomez, Miley Cyrus, por aí. Estes são alguns dos mais badalados, mas há dezenas ou centenas deles a produzirem coisa muito semelhante. Aguentei pouco tempo e reparem que já escolhi alguns concertos destes artistas para banda sonora das Comezinhas e às vezes gosto de os ouvir, ou aprecio algumas das composições. Sucede que não raro este tipo de música pop, nuns casos rasando o R&B, folk ou rock, acaba numa linha abafada por um manto monocórdico extremamente cansativo. Parece que o cérebro não chega a engatar a primeira, não sai de ponto morto – não conduzo, por isso posso estar a dizer asneiras. O que quero dizer é que não desenvolve, estupidifica. E quando digo isto bem me lembro de no tempo de miúda os mais velhos dizerem-me que o “catchapum” (palavra saída agora, creio que o que me diziam era: tum, tum, tum) das discotecas era estupidificante.


Estes álbuns de hits dos músicos populares parecem ter só dois tempos, sem variações e vão-se sucedendo sem que haja diferenças entre eles. Cansam-me bestialmente na maior parte dos casos, habituada que estou há muitos anos a ouvir jazz todos os dias. E também oiço muita música daquela em que não é preciso prestar especial atenção, a que os chicos-espertos da opinião chamam música de elevador – os tais que sabem de música por ler e reproduzir o Blitz ou qualquer artigo da “especialidade” nos jornais generalistas, como os pseudo-literatos sabem de escrita, leitura e literatura de consumir jornais ou revistas literários para poder replicar lugares-comuns de gueto.


E se gosto de alguma desarmonia e dissonância, também me seduz a melodia. Agora é preciso qualquer coisa mais do que pacotes de repetição de acordes para vender. Lá está, vale a mesma regra que aqui tantas vezes apliquei aos artistas e autores do circuito de venda português, não adianta muito replicarem-se à exaustão, ou melhor, podem continuar a fazê-lo, terão boa aceitação, audiência e vendas, só não terão especial qualidade nem mérito, por mais simpáticos sejam, boa imagem passem e sucesso alcancem.


E esta era uma das várias banalidades que pensei escrever de manhã e não pude, chegando à noite possivelmente já desvirtuada.


*


Adenda. Esta manhã tenho estado a ouvir uma colectânea de música barroca de Bach, dizem eles para acompanhar corrida. A corrida tem sido vagarosa, sobretudo, "emailando" com algumas urgências pelo meio hiper super importantes e delicadas - felizmente, a idade e o calo já dão o devido desconto ao histerismo associado.