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23/04/2024

O país do circo

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“Foi nossa preocupação a simplificação da gestão do SNS, através do aumento da autonomia das instituições face a outros níveis de decisão (por vezes chamada de verticalização, mas cujo alcance é a diminuição dos patamares de decisão, aumentando a rapidez nas respostas e aproximando a decisão do local de prestação de cuidados), e da redução para menos de metade das instituições (de mais de 100 para menos de 50) e dos respetivos lugares de administração”, adiantou ainda o diretor-executivo demissionário.


De acordo com o médico, a defesa dos recursos humanos numa “visão de motivação e reconhecimento pelo excelente trabalho efetuado”, o investimento na modernização das estruturas e equipamentos do SNS, foram das “vertentes mais relevantes e cujo trabalho ainda tem um percurso a ser feito”.


“Paralelamente implementou-se uma agenda de desburocratização”, adiantou Fernando Araújo, apontando os exemplos da autodeclaração de doença, dos certificados de incapacidade temporária nos serviços privados e sociais e nos serviços de urgência dos hospitais públicos e a renovação das receitas de medicamentos para doenças crónicas disponível nas farmácias.


Além disso, foi implementado o alargamento do período de validade das receitas e meios complementares de diagnóstico e terapêutica para 12 meses, os projetos-piloto dos Centros de Avaliação Médica e Psicológica para a emissão dos atestados médicos para as cartas de condução e outras finalidades, a vacinação nas farmácias comunitárias e o acesso dos médicos das juntas da Segurança Social ao processo clínico eletrónico.


“Estas medidas, algumas das quais eram reivindicadas há décadas, possuem uma característica comum: simplificação administrativa, facilitação da vida dos utentes, desburocratização do trabalho dos profissionais de saúde, e melhoria da satisfação na utilização dos serviços”, assegurou Fernando Araújo no comunicado que faz o balanço de 15 meses de funções.



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Em Portugal lucidez, coragem e competência não singram. Não podem perdurar. Impõe-se o circo da mediocridade, dos interesses corporativos e económicos, do apego aos empregos inúteis de administração na função pública, da vaidadezita profissional oportunista, narcisa e desafasada da realidade, do bate-boca e da intriga de facção. Vinga a aparência de democraticidade assente nas balelas de treinadores de bancada que fazem comentariado e política. Vence quem vê o país e a vida como um campeonato de futebol.


Clap, clap, clap. Parabéns pela retórica interesseira do último ano e meio, pelo sensacionalismo imbecil no intuito de tirar dividendos eleitorais à custa do mau funcionamento do SNS, pela resistência à mudança que pôs em causa cargos inúteis e más práticas instaladas, e parabéns pela incapacidade de compreenderem e reconhecerem quem faz a diferença pela positiva no país.


Bravo, bem-sucedidos ratos do país. Desculpem o incómodo desta passagem pela praça pública portuguesa da seriedade discreta. Já podem continuar os vossos joguinhos de interesse que destroem o país e alçar os vossos apaniguados sem préstimo às peanhas do poder. Foi só um intervalo de decência - quem sabe não vinguem sementes (na lei e no terreno) que possam ser respeitadas dentro do SNS, já que em políticos, jornais e comentadores das redes sociais e blogues não podemos confiar.