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29/04/2024

Não há revoluções nem evoluções por procuração

Paternalismo bacoco e empatia interesseira são as formas ideais encontradas pelos bonzinhos privilegiados de manterem a hegemonia. Falar em nome dos pobres, das raças marginalizadas, das mulheres, dos homossexuais, afirmando-se muito compreensivo com as suas dores e direitos é a fórmula mágica para enaltecer a bondade e coragem dos defensores das causas dos oprimidos, tantas vezes marimbando-se para o destino dos ditos, antes preocupados com a venda da própria imagem. Não há revoluções ou evoluções por procuração.


Tenho observado como singram os tais defensores das causas dos oprimidos - os que falam em seu nome. Sempre muito considerados pelas redes de interesse, sempre muito bem-sucedidos. Apajados como óptimas pessoas, muito empáticas e sensíveis, vingam usando retórica fajuta para obter simpatia e audiência. Na realidade fincam os pés nos ombros dos oprimidos de quem se dizem muito amigos, enterrando-os num fosso cada vez mais fundo de dependência, para à custa deles fazerem carreira, nome e, enfim, se alçarem a grandes democratas.


O que é preciso, na perspectiva de quem quer manter o status quo ou ascender a situação privilegiada, é que os marginalizados não tenham voz própria. Para isso fala em seu nome e quando muito passa a palavra a alguns representantes que tenha em mão, com vontade de protagonismo, mas pouco inteligentes, por isso manietáveis. É a cultura da mediania. Aposta-se em homens e mulheres medíocres que vendam bem a banha da cobra. E despreza-se quem com clareza e objectividade seja justo.


O objectivo dos intrujões não é a justiça. Caso contrário, rejubilariam com as vitórias e alegrias de quem tem valor, quem vence as adversidades saindo da pobreza, das minorias raciais bem integradas social e profissionalmente, das mulheres que se impõem pelo carácter num mundo onde dominam os homens, dos homossexuais com vidas pessoais resolvidas e felizes. Mas se estiverem atentos, reparem no desdém, inveja e cobiça dissimulada em elogios oportunistas de que estas pessoas são alvo. Reparem como se promove e enaltece a mediania presumida. Os aldrabões precisam da retórica do coitadinho do meu amigo gay ou do tão feminista ou anti hipocrisia religiosa eu sou para se encostar às redes de interesse que promovem os protagonismos sem valor. Tudo quanto procuram é manter privilégios e audiências à custa de suposta superioridade moral e do frisson inconsequente.


Enfim, num linguajar muito popular: sabem-na toda - os(as) oportunistas.