Ontem em conversa chegávamos à conclusão como se tinham restringido os contactos sociais nos últimos vinte anos. No fim dos nossos comentários concluí que é comum a muitos pelo mundo fora. De vidas cheias de presença de gente, familiares a amigos, de casas cheias e reuniões regulares passámos a existências mais isoladas: solitárias ou em casal ou núcleo reduzido de pais e filhos. Sem grandes e frequentes contactos físicos com família alargada e amigos. Nada tem a ver com a pandemia, que foi um momento episódico. A mudança vem detrás e prende-se mais a montante com as vidas pessoais e profissionais mais frias das cidades e a jusante com a preponderância do telemóvel e da Internet na vida de parte importante da população mundial. Parte substancial dos contactos humanos passou a fazer-se digitalmente. Nos casos felizes a mudança para o digital é o ponto de partida para laços que mais tarde se estreitam com a presença física. Em muitos casos, benignos ou malignos, nunca passam do mundo digital. Nas últimas décadas nasceu uma nova forma de relação humana que influirá muito na concepção do mundo de cada um.
Nota. Montante: nascente do rio. Jusante: foz do rio. Usei os termos de modo espontâneo e logo fiquei hesitante. Claro que fiquei a deambular sobre o significado e sentido das duas palavras e fiz as minhas habituais pesquisas acerca de. Daria outro post. O mundo é gigante e nunca chegaremos ao todo, mas com tempo podemos ir conhecendo uma ínfima parte dele e divertir-nos com isso. O que não vale a pena é acharmos que os outros são ignorantes por não conhecerem ou desejarem possuir a nossa ínfima parte de conhecimento e enaltecermos aqueles que replicam a nossa ínfima parte de conhecimento – a fórmula certa não só de sermos injustos e mesquinhos como de o mundo não evoluir. Cada um transporta como bagagem o seu pequeno grão de areia.