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02/04/2024

Livros, carregador de portátil, Governo e jogo de estratégia da Nintendo

Dia de trabalho normal, mas bastante alheada. Hora de almoço na Boavista.


Passei pela Bertrand e os olhos por quase todas as mesas e estantes. No fim, na secção das biografias e História peguei num ensaio à volta do destino do mundo lusófono. Já na caixa percebi que ia esperar uns minutos. Foi o suficiente para repensar. Pousei o livro. É. Até considero o autor e já aqui o citei mais de uma vez. Mas não me parece mereça gaste recursos financeiros e intelectuais com ele (sim, sou ridícula a julgar a minha compra importante). Antes estivera com outro livro na mão, de uma autora do quadrante ideológico (e origem académica) oposto. A mesma sensação. É verdade que o trabalho deve ser recompensado.


O respeito pelos portugueses também. Não devo ajudar a perpectuar o facilitismo, que confunde estudo e conhecimento com boas competências sociais, boas relações, acesso facilitado aos megafones das redes de interesse, do compadrio académico e do mundo da edição e da comunicação social. Às vezes coincidem valor e oportunismo e num dos casos tal verifica-se. Temos pena. Amor com amor se paga. Quando aprenderem a respeitar a inteligência dos portugueses e as regras básicas de educação em vez da aparência dela talvez dê mais crédito e compre os livros. Não o faço enquanto promoverem  e elogiarem par a par valor, lixo e engodo com a mesma ladainha, convencendo que é tudo fruto virtuoso de trabalho e mérito. Não me convencem enquanto, por trocas de favor ou para obter audiência, enaltecerem nulidades e vendedores da banha da cobra como gente muito preparada e conhecedora, chamando tontos ou invejosos aos que topam e denunciam a trapaça. Mais: citando para o efeito autores maiores que se vissem o nome abusado e ideias deturpadas desta forma dariam voltas na tumba.


Pois é. Sempre este mau génio a bater na mesma tecla, a bater no ceguinho. Aguentem ou não leiam. Vai ser assim até ao último suspiro. Há coisas que não mudam - o mundo é igual desde que é mundo -, mas vale sempre a pena contestar o que está mal em vez de cair nas palermices oportunistas do "sempre foi assim" enquanto se tira partido da mentira à custa do prejuízo alheio. 


Ao fim da tarde consulta rápida no dentista. À chegada a casa a surpresa boa de ter recebido o novo carregador do portátil. Desde quinta-feira estava a usar um emprestado. O carregador anterior pifou. Mandei vir na sexta-feira da Worten. Já estou a escrever no meu computador.


Registo: hoje tomou posse o novo Governo da AD liderado por Luís Montenegro. A táctica e conselho dos comentadores e consultores de marketing político que dominam a comunicação social, as redes sociais e os blogues afectos à direita é armadilhar qualquer acção de oposição do PS ou dos demais partidos usando a falsa bandeira da estabilidade, acusando a oposição de instabilidade política em qualquer circunstância. A estabilidade que ajudaram a arruinar com grande empenho nos últimos anos. Isto é, exigem obediência total condicionando ou fazendo chantagem. Chegou à cúpula do poder uma nova casta de políticos e comentadores portugueses - a que vê a política como um misto de jogo de estratégia da Nintendo, reunião maçónica e presidência da Junta de Freguesia. Com a ajuda dos caquécticos imitadores do costume - dos 8 ou 88 anos - deslumbrados com os grandes estrategas de adro de igreja que vão elogiando e denegrindo conforme ascendem ou decaem.