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Hoje o jantar veio do Take Away ao qual ia com regularidade nos últimos anos. Voltei e revi o dono com quem há muito não conversava o usual punhado de minutos até levantar a refeição. Pôs-me a par das novas do problema grave de saúde pelo qual passou e recuperou, tendo trabalhado sempre sem se ir abaixo, tirando na fase da radioterapia. Ao referir o impacto em termos psicológicos de se ver confrontado com o que mais tememos, descansei-o: o mundo está insano sem sequer razões de saúde graves. Uns mais do que outros, brincou ele. Daí partimos para o quão nefasta é a televisão e as enxurradas de informação/opinião. Contou-me que não a vê há anos, limitando-se a assistir a filmes e séries. Andou a rever películas que viu em rapaz de Pasolini, Fellini, entre outros. E mais recentemente escolheu um filme que andava para ver há alguns anos – Snowden, de 2016. Fazendo brevíssima apresentação, aconselhou-mo. Acrescentou que não tem redes sociais e procura viver o mais afastado da loucura actual. Contei que tenho um blogue e já há vinte anos tinha outro no qual dava bitaites e foi mau – sim, todos temos o hábito de apontar o dedo, mas esquecemo-nos do nosso contributo ou mera participação na insanidade. Relatei que tive de me afastar, estando dez anos em silêncio digital. E ainda hoje depois de regressar ao activo, faço ocasionalmente quinzenas de desintoxicação, afastando-me. E foi isto. Falámos na importância de nos defendermos e da necessidade de abstrair. Trocámos as cortesias do gostei de vê-la e eu de revê-lo, peguei no saquinho com os pastéis de bacalhau, arroz branco e legumes e vim para casa jantar, contente por rever uma pessoa boa e educada a levar a vida em frente.