Durante o trajecto a pé até ao local de trabalho de manhã e após almoço costumo ouvir vídeos do YouTube seja de música, bruxarias ou prelecções. Resultado de pesquisa feita anteontem o canal sugeriu-me ontem Espinosa. É curioso como podemos ser condicionados senão mesmo manipulados no que consumimos online. A título de exemplo passei duas semanas a ouvir lições de estoicismo. Resultado: fiquei a compreender a cabeça de algumas pessoas sugestionáveis. Os princípios do estoicismo farão muito sentido se integrados numa mente educada – que os pratique já sem etiquetar - e geradores de confusão num cérebro voluntarioso.
Voltemos a Espinosa: além de aceder ao relato da vida do filósofo gerado em família de origem judaico-portuguesa perseguida pela Inquisição e nascido em 1632 em Amesterdão, onde foi expulso da comunidade de judeus por ser um livre-pensador, possuir uma visão panteísta de Deus e defender que só se pode ser livre através do uso da razão, pude recordar que no Tratado Político analisa as diversas formas de Governo – Monarquia, Aristocracia e Democracia e advoga a sua organização de forma a não degenerar em Tirania. Democracia não é um Governo da maioria, mas a Liberdade de todos dentro da Lei Natural - a ideia base da Igualdade dos Homens, defendida por pensadores e filósofos subsequentes.
No ano passado foi publicado o livro O Segredo de Espinosa, de José Rodrigues dos Santos, autor português cujos livros não li, mas devia ler quanto mais não seja por ter sido excomungado pela elite fajuta portuguesa feita de intelectualóides da treta, autores, jornalistas e humoristas avençados do regime, apesar de ser o que mais livros vende e por isso o mais estimado pelos portugueses.
E pronto foi um intervalo ou recreio no projecto principal.