Não me sobram ideias para definir como sinto redutor o erotismo que vejo retratado. Ou mesmo a pornografia. Deparar-me com flashes normalizados de tesão de indução solitária de prazer disfarçados de sexo a dois arvorados a grandes momentos de erotismo. Limitadores. Castradores das sensações maiores de arrebatamento que tocam cada ponto nevrálgico do corpo e da mente. A boa da chafurdice padronizada a sentimentos de posse, desejo, dominação ou seja qual for inclinação anda desprovida de intelecto e nervos inteiramente estimulados, tremidos, esticados, vergados como se quem descrevesse a não vivesse. Talvez por isso duvide dos homens e das mulheres que se mostram muito experientes em matéria de amor e foda e muito faladores acerca do tema. Falam como se conhecessem, mas têm mais ideias, cenários e palavras fortes padronizadas para nomear órgãos, actos e sensações do que corpos, pesos, forças, nervos e vontades. Não esquecem boca, cona, cu e caralho, precipitam-se no êxtase e na esporra, mas esquecem arrepios na espinha e pescoço, confusão mental, tremores frenéticos nos braços, coxas e pernas, agressividade, contracções abdominais, entrega, retesamento de todas as zonas erógenas e dúvida. Recordam os gemidos molhados das mulheres, mas não tanto a garganta seca e o que também expelem. Lembram o vazamento da esporra, mas não os sacões descontrolados de um homem a vir-se. Ou fazem de tudo isto enredo medíocre e cenário pífio em substituição das próprias sensações – à falta delas.