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13/07/2023

Diário

De manhã fui à Moutinho Oculista, que festeja hoje 66 anos e é a óptica de uma vida, com traições sobretudo nos óculos já que os consigo a melhores preços noutros comerciantes. Trouxe lentes de contacto descartáveis. Durante os 30 anos que as usei diariamente, preferi sempre as de longa duração e da marca Bausch & Lomb. Quando comecei era uma novidade, poucos anos mais tarde achava os meus amigos moderníssimos por usarem as descartáveis, mas feitas as contas, compreendi ser um negócio muito desvantajoso para quem as usava, mantendo sempre o hábito das de longa duração. Há sete anos numa fase de secura dos olhos que durou três ou quatro desabituei-me começando a andar em permanência de óculos.


Hoje em dia só uso as lentes para na nadar na piscina, já que é impensável lá entrar sem ver o suficiente. Ou seja, a necessidade é de uma vez por semana, sendo desta forma mais aconselhável as diárias. Daí estar estar a testar agora – há alguns anos houve uma tentativa, mas nem me lembro bem como correu.


Para lá de muito míope e com ligeiro astigmatismo nos últimos tempos vejo pior ao perto – aquela treta das letras miúdas e de ter de esticar os braços. Coisas da meia-idade. E nas últimas semanas dei por mim a começar a tirar os óculos para conseguir focar. Seja óculos sejam lentes começam a perturbar a visão. Da experiência que vou conhecendo das gerações anteriores, a visão pode melhorar depois de piorar – afinal é como a vida, não é? Veremos se finalmente faço os exames prescritos há muito para operar o olho das 14 dioptrias – se concretizo a cirurgia adiada por três décadas. O olho das cinco dioprias, a que chamo orgulhosamente o olho bom, ficará a salvo do bisturi - sim, isto não vai lá com laser.


O Nuno acompanhou-me e lá teve de descer as escadas para a cave baixando a cabeça – um cuidado em todos os locais onde não contam com gente alta – e foi também à minha consulta médica do ânimo (apetece-me rir, por falar nisso) agendada para o final da manhã.  Aproveitámos para almoçar cedo no tempo de espera e a consulta em si correu bem. Apresentei-os. A médica que me conhece há anos nunca me viu acompanhada dentro do consultório e talvez por isso havia dito o ano passado que se quisesse poderia ir acompanhada. Conversámos os três, eles os dois gabaram o meu juízo – só eu não me tenho em tão boa conta (estou farta de dizer que engano muito; a aparência é melhor do que vai dentro da cachimónia, mas eles teimam em ser delicados e elogiosos, ao contrário do que estava habituada - talvez por isso estranhe) e à saída a médica disse ao Nuno para continuar a tomar conta da sua menina.


À noite (daqui a nada) vamos jantar a casa do C.. Vou conhecer o namorado R. – apesar de odiar reuniões alargadas, se há coisa que gosto é conhecer alguém de vez em quando. Vai estar também a T.. Levo um semifrio e frutos vermelhos para a sobremesa e conto divertir-me bastante quase fechando as férias em grande – afinal amanhã será dia de cinzas da boa vida; o fim-de-semana não conta. Foram duas semanas de vida difícil, "tadinha" de mim. Sofro tanto. Uma maçada.