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06/07/2023

Balanço do dia

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Sei, sempre as mesmas teclas. Sempre as mesmas palavras e paisagens. Sei, não há especiais novidades nem frenesins. Parece monótono. Parece. Esteve um dia fabuloso de praia. Nem quente, nem frio. Ameno, suave. Uma brisa que parecia calibrada a pedido. Claro, sendo cá no Norte, e atenta a temperatura da água e as correntes, entrar no mar para nadar é para esquecer. Mas ainda deu para extenuar com demoradas braçadas ao fim do dia na piscina.


 


 


Não é difícil estar bem. Se as férias se resumissem a este dia, já teriam valido a pena.


Sei, dá ideia de excesso de optimismo, parece facilidade e leveza a mais. Não tenho o que lhe fazer. Não tenciono agradar a quem só vê o lado estragado da vida nem a quem não gosta do contentamento alheio - já para não falar do desamor à afirmação e ao vigor se forem femininos e não estiverem enquadrados nos lugares-comuns da auto-estima e do "empoderamento" ou, claro, das capelinhas.


Como sempre friso: carpir mágoas e exibir grandes talentos e esforços para ultrapassar montanhas e desertos de dificuldades e invocar grandes méritos são luxos de gente privilegiada.


Um dia como este sobrepõe-se às tristezas e ao mau-feitio. Nestes dias gosto de lembrar num ápice os piores momentos da vida, mas sem me deixar chafurdar neles, só para ter oportunidade de dizer: cá estou, vinguei galgando sortes e azares; e estas são minhas glórias: as brisas amenas e a alegria de as sentir. Não quero exibir grandes predicados, coragem e esforço. Afinal as brisas sopram da Natureza.


Amanhã talvez volte o mau-feitio, mas este dia ninguém mo tira. E agora vou reler um romance chato mas pequenino para não cansar a mioleira. Qual? É o que menos interessa. Talvez adormeça a meio. Cansada de um dia bom.