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25/07/2023

Accuradio

Hoje fui apresentada ao compositor e guitarrista de jazz Kurt Rosenwinkel, ou melhor prescindi de intermediário e parti à descoberta até o encontrar. Pelo mesmo método avistei no ano passado a contrabaixista e cantora de jazz Esperanza Spalding e a cantora também de jazz Zaz (Isabelle Geffroy).


O ponto de encontro tem sido a Accuradio, uma rádio online com centenas de canais que me foi mostrada por um amigo em 2004. Desde então tenho-a à mão, apesar de às vezes passar bastante tempo sem a “sintonizar”. Porém de cada vez que me apetece ouvir alguma referência do jazz ou conhecer um músico novo é lá que entro (atenção, o site é bem diversificado: tem todos os géneros de música catalogados e divididos por épocas ou décadas). Nos últimos anos uma das formas que utilizo na busca de gente nova ou gente que desconheço é pôr a correr a Accuradio nas últimas duas décadas do item jazz, ir deixando rolar até ouvir qualquer coisa que me prenda a atenção por gostar mais. Fixado o nome do músico parto para o YouTube e vou ouvindo (nem sequer sei usar o Spotify e por enquanto não me tem feito falta nenhuma; nunca fui de correr atrás do palpitante). Às vezes ponho aqui nas Comezinhas os vídeos e oiço-os obsessivamente. Quando gosto escuto à exaustão.


Se me fizerem perguntas sobre o trabalho dos músicos em causa, os álbuns lançados, os concertos mais marcantes, essas coisas, não saberei responder. E isso não me preocupa. Usufruo do que fazem como sei: ouvindo. Ouvindo muito, repetidamente. Desde que a meio da tarde de hoje descobri a guitarra de Kurt Rosenwinkel e, já agora o piano de Joseph Block, e os quatro outros elementos da The New Generation, já os ouvi pelo menos meia-dúzia de vezes e não me canso. É possível que daqui a um ano nem me lembre bem do nome do guitarrista. Mas alguma coisa ficará numa qualquer gaveta da memória. E sobretudo o gozo da descoberta e de os escutar saboreando bem a conquista por dias, semanas ou meses, vale tudo. É o importante.


A despropósito há dias li numas tretas lifestyle uma actualização daqueles estudos antigos que diziam que a música clássica ajuda na concentração. Estudei e li muito ao som de música erudita e o que li nessa página até faz sentido. Diz a ciência lifestyle que as peças mais conhecidas, ou melhor, a música conhecia pelo ouvinte é mais útil na concentração. Claro, quando confrontados com música nova ou com dissonâncias a mioleira agita, fica num despertar arrebitado e não naquela atitude de concentração passiva capaz de assimilar sem processar. Disto o estudo que li não falava, sou eu que sou fala-barato e faço uns acrescentos à laia de quem escarafuncha e gosta de dar bitaites. Mas resumindo, para trabalhar recorro muito às peças mais conhecidas dos compositores clássicos (nem essas sei identificar, salvo pontualmente) ou a jazz mais melódico.


Boa noite.