Sina, das sinas. Passar a vida inteira a apontar erros, a denunciar outros à toa, umas vezes lá calha e é com critério e verdade, outras por puro desporto, por gosto em contrariar o outro e mostrar-se mais certo, mais esperto. Ambiente em que nada vinga, à excepção da ilusão de mudança que interessa para tudo continuar igual.
Sina, das sinas. Se alguém levanta a voz, alertando para a necessidade de quebrar o ciclo do vácuo, logo é tido por palerma, irresponsável, falso, invejoso, preguiçoso, hipócrita. Qualquer coisa serve para o denegrir e manter isolado, proscrito como convém aos que se apregoam muito corajosos, muito críticos, muito anti-sistema - o mesmo sistema que alimentam dia após dia, fazendo-se passar por seus opositores. A arte de ter duas caras e viver ao sabor dos ventos favoráveis, dos interesses. Aproveitando argumentos válidos de outros, para os distorcer a seu bel-prazer. Acusar terceiros dos próprios defeitos. Incapazes de admitir o erro em prol do bem comum.
O número de vezes que se lança mão das acusações de irresponsabilidade e demagogia é proporcional ao grau de atraso do país. Nada como demagogos a apelarem à responsabilidade e a acusarem os opositores de demagogia - ninguém a conhece melhor do que eles, tem-na na mão de modo egoísta como capa da defesa do núcleo forte da rede de relações e interesses ligados ao Estado.