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11/10/2021

Memória

Tem alguma graça a adesão em força às palavras de Cavaco Silva e a interpretação que delas fazem: sendo previsível uma vitória do PSD nas legislativas de 2023 deve haver uma congregação de esforços em volta de um candidato que corra com Rui Rio e a sua oposição frouxa. A saber: Paulo Rangel. A ironia disto está no facto de nos últimos anos qualquer referência de apreciação (ou de simples consideração) às palavras de Cavaco Silva ser quase equiparada a lepra, não só à esquerda (o que se percebe), como à direita (o que explica o eterno desatino do país) e de repente gerar-se uma quase unanimidade em volta do acerto da entrevista dada.


Ao contrário da generalidade dos portugueses, em muitos casos contaminados por uma comunicação social inconsequente e entretida com fait divers, tive e tenho a maior consideração por Cavaco Silva, mas não me vou deixar enganar segunda vez. Nos anos precedentes às legislativas de 2015 o então Presidente Cavaco Silva insistiu à exaustão na necessidade de um bloco central, falando dele quase como uma inevitabilidade, de tal modo que eu (tonta, desconhecendo a natureza de Costa), habituada a ouvi-lo e temendo que o seu desejo fosse avante, não votei PSD – por não querer contribuir para um sistema sem escrutínio sobre as decisões governativas – mas em quem achei que poderia fazer oposição. Viu-se. Seguiu-se a caranguejola, a qual acabei por sufragar votando no PCP - nas seguintes voltei a votar PSD.


Vem agora Cavaco Silva criticar a Oposição débil e sem rumo e o Governo que não conseguiu aproveitar as boas condições de sustentabilidade herdadas de Passos Coelho - serão a mesma Oposição e Governo que queria ver coligados? -, dando azo à profusão de artigos dos eternos impenitentes Guerreiros do Apocalipse anti Rio.