

Quase que é de fiar no comentário semanal de Marques Mendes. Quase. É evidente que foi um político experimentado e tem noção das peças em jogo. Conhece bem o métier. Sucede que, como a maioria do comentário político nacional – já na linha dos idos anos do espaço da missa dominical do actual Presidente da República -, nunca coloca a substância no plano do dever ser mas no suposto “o que é dado”. Ora, se “o que é dado” fosse de facto tal como é, não viria daí mal algum ao mundo, mas não é isso que se passa: semanalmente transforma ou adapta a realidade a pretexto de alegadas ideias de racionalidade, estabilidade e bom senso políticos, ao gostinho da seráfica pequenez nacional. Conheço bem a linha de pensamento, típica do português desenrasca-resignado, sem rasgo, sem coragem e sem ética.
Foram 10 minutos (a olho, não fui confirmar) de argumentos pró estabilidade política – há quantos anos arrastamos este mantra da estabilidade política? – e de diabolização do chumbo do Orçamento de 2022 – nunca visto em Democracia, disse o arauto do comentário político português. Para no tema seguinte fazer saltar com a maior das ligeirezas a possibilidade de chumbo do Orçamento 2023.
Sobre estabilidade política peço apenas que reflictam sobre os gráficos relativos ao crescimento do PIB em Portugal e aos fundos europeus. Serei a única a reparar que o melhor período da nossa economia - no pós 25 de Abril - deu-se após a crise política de 1985? E não me venham com a treta de que fundos europeus justificam tudo. Continuaram a jorrar nos anos seguintes - em maior escala - e a ser desbaratados pelos sucessivos governos.



