Quando começaste a usar o termo forasteira para te definires, por causa dos westerns que viste em criança, dos versos de Ricardo Reis que leste na adolescência e das viagens que fizeste na juventude ainda não sabias descrever apesar de a sentires uma quarta razão: a da eterna desconfiança, quando não desconsideração, com que és olhada.
Há uns dias dizia quem te conhece bem: não, tu não és carente de afecto (pensaste: amor não me faltou) nem carente de atenção (pensaste: não, sempre me entretive), mas és carente de consideração (e disseste: daí o forasteira).