Dia muito agitado, com muita comunicação. Se até há uns anos a parte que mais me agradava profissionalmente era ouvir e falar, agora cada vez me sinto melhor a desempenhar tarefas solitárias. Ter numa secretária um telefone fixo e três telemóveis - todos vivos - pode ser esgotante. Além das ferramentas de comunicação online. Vale-me o facto de haver dias de sossego entremeados com estes mais acelerados.
À parte disso a constatação que estou cada vez mais fonas. Bom, hoje perdi a cabeça e comprei uma mala (é o que dá excepcionalmente almoçar fora de casa). Já a tinha visto há duas semanas e hesitado, não porque fosse cara, que continuo a gostar de pechinchas e de lojas com preços módicos, mas por manias de ouvir demais os outros e não seguir os meus instintos/gostos à primeira.
Ando há duas semanas para comprar castanhas assadas na rua, mas por uma razão ou outra (pressa ou inconveniente) não dá. Até esse pequeno gesto parece uma quebra do hábito. Quando se tem uma vida rotineira, pequenas mudanças - como um cumprimento, o tempo para reparar nos gestos na rua, na forma como as pessoas se tratam mutuamente - produzem grandes efeitos. Hoje dei por mim a pensar enquanto atravessava a passadeira que agora podia dar uma volta ao mundo - económica, vá - mas podia - para no momento seguinte dar por mim a perceber que a única razão que ora me impede de fazer uma viagem de 3 meses no próximo ano é ter de trabalhar. E acabar por concluir o que sempre concluo: não vale a pena nem embandeirar em arco nem chorar sobre o leite derramado: nunca se sabe o futuro, a vida dá muitas voltas.
Entretanto hoje chegaram quatro livros. Novamente a comodidade da Wook. Continuo a acumular devagarinho. Mas como leio ainda mais devagarinho se morro cedo, estou tramada. Trata-se de sentidos obrigatórios ainda por ler - um mundo que não acaba. Fiquei-me pelas badanas e o aperitivo de um deles - tudo soa a visto, não conhecesse eu parte (ínfima, mas representativa) da obra do autor. Logo se vê como estará a disposição nos próximos dias.
Para já estes ficam em pousio. Quero primeiro retomar as leituras de História da Filosofia para não me sentir tão esquecida das bases. E acabar dois romances que deixei a meio no Verão. De lá para cá tenho-me passeado por contos soltos (não muitos, não tenho lido muito senão online). Se findas essas vidas, as catorze dioptrias do olho direito mais as quatro do esquerdo permitirem - nunca me decidi pela cirurgia que implica lente inclusa, mas a hora é esta já que no último ano comecei a ver mal também ao perto -, entremearei a Matemática com os que chegaram hoje.
Planos, planos. É como a escrita o Espanador, ainda por concluir.
Ah, o Porto ganhou ao Milão. Não está mal.