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23/10/2021

Novos dias

Há coisas que não se confessam nem às paredes, como cantava Tony de Matos - só as Comezinhas para se lembrarem deste nacional cançonetista. Há 3 anos (ou 4) no início da liderança de Rui Rio, lembro-me de estar a ver um debate na televisão e do desdém sobranceiro com que os comentadores se lhe dirigiam. Foi assim desde início. Pensei e disse em casa: estes tipos ainda vão engolir estas palavras. Não era vingança mesquinha que me movia, disse-o apenas no sentido de considerar que Portugal precisa de pessoas como Rui Rio e de deixar de se entreter com os treinadores de bancada da retórica. Não sou particular fã da atitude e personalidade de RR, não tenho o culto da personalidade. Mas gosto da ideia de confiar no bom senso e capacidade de gestão com rigor. E como é notório estou farta dos espertinhos das grandes tácticas e profundidade de análise que, de tanto se enredarem nos próprios pés, acabam por dizer baboseiras sempre cheios de superioridade sobre aqueles a quem chamam patéticos e mais não são os que conhecem os portugueses. Ainda ontem li nesta linha um historiador, cheio de si.


Não sei quem será o próximo líder do PSD e, em consequência, não sei quem será o próximo Primeiro-Ministro - sim, estou a saltar etapas. Sim, é usual julgar-se falta de inteligência dizer tudo sem ponderar todos os cenários, ou sem aguardar que se fechem um a um. Sei que se for Costa é péssimo, sei que se for Rangel péssimo é.


E sei que no espaço de poucos dias tudo mudou. Na sequência das autárquicas, sobre as quais a maioria dos analistas não reconheceu o bom resultado do PSD - tentando circunscrever ao bom desempenho de Moedas -, tamanha é a vontade de desdenhar da liderança e substitui-la por mais do mesmo, para que o país continue na pasmaceira de sempre a alimentar conversa oca de comentadores.


Tudo mudou, sobretudo, para o Governo e o PS que se viram nos últimos dias cercados por uma saraivada de disparos. Críticas de todas as áreas, umas justas outras correspondendo aos habituais aproveitamentos em tempos de aprovação do Orçamento.


Não sei se o Orçamento vai ser aprovado ou não, mas considero que momentos de ruptura são necessários para conquistar melhores condições de vida para os trabalhadores portugueses que não gozam da protecção dos sindicatos ou das ordens profissionais - em vez de continuar com os eternos benefícios apenas para a função pública - que por puro egoísmo não tem qualquer respeito pelo conjunto do país. Momentos de ruptura são bons para correr com os interesses instalados e a corrupção das cadeiras do poder. Sei que corremos o risco habitual de substituir uns por outros iguais, por mais do mesmo. Mas é urgente correr com este Governo. Isso é patente, apesar da comunicação social só ter chegado a essa conclusão esta semana, quando lhe cheirou a novidade. E mantermo-nos exigentes com quem vier a seguir.


(o post não está editado, amanhã ao fim do dia corrijo-o.)