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13/03/2021

Trigo e Joio - Princesa Leia

Talvez não seja totalmente franca. Nas relações profissionais um pouco de polidez ainda que artificial pode dar bons resultados. De boas palavras, não deixa de dizer o que pensa sem acinte. Os reparos dela eram por ti tidos em conta – muitas vezes a posteriori – por saber que podias ter pisado o risco por temperamento intempestivo ou mau-feitio. Um pouco ociosa e com o lema vive e deixa viver mostra-se curiosa, conhecedora do negócio, procedimentos e melhores soluções, e não se nega ao trabalho desde que respeitado o seu tempo. Feitio que poderá perturbar quem trabalha de afogadilho, mas logo é esquecido quando se conhece as restantes qualidades, como a capacidade, pouco usual no nosso país, de assumir responsabilidades e até erros.


De boa disposição contagiante, aprecias nela aspecto raro e que te é tão caro. Apesar dos vários anos de trabalho conjunto contam-se pelos dedos da mão – aliás, sobram dedos -, as vezes que a ouviste num desabafo que pudesse ser tomado por maledicente. Num mundo onde as meias-palavras e a intriga são rainhas, trabalhar com uma pessoa capaz de conter as raivas e ódios pessoais e profissionais – com tanta razão para os ter -, fez paz de uma década. Quando um dia em conversa com outros se colocava a questão da chefia temporária, disseram-te que era uma questão de perfil e ela não o tinha. Sabes perfeitamente que perfil no caso concreto significava capacidade de se por a jeito e de calcar os outros – atributos que manifestamente ela não tinha.


O que faz a diferença pela positiva e beneficia as empresas que contam com profissionais desta estirpe? Tiveste pouco tempo para conversas pessoais – as que existiram foram de curtos minutos -, mas conseguiste perceber que a permanente curiosidade, o prazer na aprendizagem e o gosto sem bazófia pela leitura, música e cinema preenchia o espaço que poderia ter sido ser mal ocupado pela futilidade e mexericos.