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12/03/2021

Acordar

Há dois anos e quatro meses regressaste a estas vidas estranhas. Formas de estar próprias do século XXI inimagináveis nos anteriores. Há mais de vinte anos assististe à transição, dela participaste e não em sentido figurado. Pagaste com o corpo e alma o preço de estares inteira, como costumas estar. Não é virtude, é pura incapacidade de ser pela metade. E de novo, um recomeço: primeiro ali depois acolá ou aqui. Vícios e impressões passadas vieram à tona. Depois calaram-se. Ali percebeste que estavas outra, menos permeável, mais contigo mesma. Acolá foste diferente do que estavas habituada. Mais tu, apesar das eternas inseguranças. Como aqui, volúvel mas inteira. E é inteira que, dia após dia, dás por ti a despertar diferente: a acordar arrebatada.