Traz no tom de voz a certeza e a convicção de que é uma pessoa superior. Não percebe ou evita entender que isso pode ferir sensibilidades de terceiros. A ambição e o materialismo são o maior marco da sua vida e a imagem de marca. Podes dizer que fez a pulso a empresa na área tecnológica, mas se quiseres começar pelo início, terás que dizer que isso significou, como é muito usual, dar golpe desonesto na empresa-mãe, onde era funcionário. Uma história como tantas outras: para dar o primeiro passo e constituir a empresa defraudou a empresa onde trabalhou enganando o ex-patrão, roubando-lhe a representação e importante cliente num negócio avultado.
Não percebe rigorosamente nada dos produtos que representa e negoceia. Nem sequer imagina com funcionam. Pelo que tem de confiar nos técnicos que emprega, a quem trata com toda a cortesia e até estima. Salvo se qualquer coisa comprometer o que mais valoriza: o lucro e, em segundo plano, o regular funcionamento da empresa. Numa casa com dois funcionários, considera normal ligar a um deles, que sabe estar à porta do quarto do hospital onde a mulher está pronta a iniciar o trabalho de parto - e perguntar com a maior desfaçatez se vai chegar atrasado de tarde à empresa. Sem que nada de muito relevante haja a fazer nesse dia no trabalho. Enfim, prioridades. Tal como considera normal sugerir aumentos e benesses futuras como contrapartidas de determinados serviços - regalias que nunca chegam a ver a luz do dia.
Como as coisas não costumam andar dissociadas, enredou-se numa vida afectiva dúbia e vive amargurado por ter prole distante e sem correspondência às suas expectativas. Não lhe seguiram as pisadas, não mostraram os resultados académicos que sonhava e, ainda por cima, entretêm-se profissionalmente com futilidades como moda e esoterismos.