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Nas horas de sol alto a bela fachada do prédio em frente além das penumbras saídas das próprias saliências só é sombreada pelo espectro parado do candeeiro e aqui e acolá pela silhueta em vôo de uma gaivota. Na varanda o vizinho saboreia de pé a leitura diária ora do jornal ora de um livro, que gostava de saber qual é. Do lado de cá, acabámos de almoçar e ao café o Nuno mostra o resultado da edição ainda fresca de uma valsa tocada pela Orquestra do Titanic.
Olhando a imagem captada por detrás da tela e da janela, pressinto um pouco de Hopper sem os tons fortes e definidos que o timbram. Será que do lado de lá das janelas e telas de Hopper uma vizinha observava semblantes solitários?
Neste princípio de tarde de 16 de Março de 2021 é mais difícil não apreciar as vantagens do teletrabalho. Cada vez gosto mais da minha rua. Acostumava-me a isto: sol e sombra, como na tourada.