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10/03/2021

Orgulho e vaidade

As linhas seguintes são uma menoridade e manifestação de orgulho e vaidade, caso contrário não precisariam ser escritas.


Talvez seja uma característica ou qualidade de algumas mulheres, não sabes bem. Talvez seja comum a muitos seres humanos, não sabes bem. Nem percebes o que te fez assim: se a educação, se a natureza e a vida, se a mescla de tudo. Tantas vezes dás por ti a induzir um caminho ou elogio a outro, ao mesmo tempo que te dás como exemplo da errada, da equivocada. Serve o propósito para destacar o que é mais importante. Nem sempre é propositado – muitas vezes és mesmo naba, distraída e errada -, mas é comum ser intencional. Usas-te como exemplo negativo para valorizar quem ou o que precisa ser valorizado. Da mesma forma que finges não reparar na natural apropriação das tuas ou alheias palavras e acções, sabendo que o fenómeno é natural e comum a todos os seres humanos, a menos que se torne abusivo. Tal como te coíbes de fazer reparos a erros e incongruências patentes - ou, quando muito, sugestionas discreta a correcção -, para que não soe ofensa e te tomem por arrogante. Ou fazes de conta que não percebes, ao sentires que o facto de conheceres o que não é suposto, poder ser ofensivo ou intrusivo. E mesmo que passem décadas sobre estes hábitos cedo adquiridos, ainda não consegues ser superior à incompreensão. Quando ela vem de pessoas que conheces mal ou há pouco, dás o desconto e compreendes. Mas o que dizer de quem te conhece desde sempre. Quanta distracção, pensas tu. Dizes cândida: faço isto mal, quem faz bem é fulano ou sicrana, e que tens em resposta tantas vezes? Sem sombra de ironia: sim, sim, és de facto péssima, uma verdadeira nódoa. Que fazer? O propósito não passa por te beneficiar, mas favorecer quem deve ser notado pela positiva.


Para quem tudo é linear e se guia apenas por convicções, estas subtilezas passam despercebidas ou quando captadas são tidas como manifestações de um carácter infantil e fingido. Ninguém se deve menosprezar. Soa a vitimização e forma enviesada de promoção, quem sabe até a manipulação. Como aliás todo este relambório soa a busca de louros. Todos devemos ser objectivos e afirmativos, pensam.


São maneiras de ser e estar no mundo diferentes, apenas isso.