Há momentos em que gostava de ter certezas em vez de sensações. Saber o que se passa nas mentes e corações dos outros para não fazer asneira, não me precipitar, não magoar, não deixar que me firam. Mas logo percebo que o mundo é mais perfeito do que isso. Se assim fosse, que seria feito da dúvida que dá sentido à confiança? E ao acreditar e aceitar? O lado mais bonito da vida não existiria. Seríamos poupados aos equívocos, desgostos e ofensas, mas o mundo ficaria reduzido à transacção de intenções e troca de interesses. Não haveria lugar à surpresa, à aprendizagem, ao amor. Seria um lugar muito triste: onde as certezas ocupariam o lugar da poesia.