Há uma milésima possibilidade disto ser apenas ficção, mas é provável que se tenha vestido de personagem de cinema e tenha partido à conquista virtual de jovenzitas crédulas. Crápula encartado, pejado de amigos de conveniência em que se roça – forma, aliás, como ascendeu a figura de relevo -, divide-se entre duas vidas: a pública cheia de erudição e virtude e a privada podre, não por devassa - aí não terias qualquer reparo a fazer -, mas pela canalhice posta quer nas tácticas de engate quer na forma de se vender.
Na conquista amorosa (eufemismo) não só engana na identidade, como mostra ser obsessivo e maníaco com a mulher conquistada, querendo-a subjugada e sem vida própria. Ela que dá por si, volvidos muitos anos, tão bem resolvida com todos os namoros e flirts passados, salvo este sórdido episódio com vinte anos que lhe manchou a dignidade. Não tendo qualquer outra intenção que não seja divertir-se por uns tempos à custa da credulidade da tonta, tenta inferiorizá-la e afincadamente afastá-la dos que lhe querem bem, com o único propósito de fragilizá-la e usá-la para sacar informações que acha úteis.
Vende-se como pessoa culta e erudita, que não deixa de ser apesar do afã ridículo com que desaustinado elenca tanto item de conhecimento. Escreve e vende os seus livros como merceeiro – sem descortesia para estes comerciantes. Os livros são um aglomerado de cânones do género literário eleito - devidamente adulados -, em primoroso mas estéril e entediante português. As personagens feitas mais do que de clichés, da versão adornada e mais vendível dos ditos. Se houver nicho temático onde ir buscar mais leitores, lá estará ele pronto a prostituir-se.
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Adenda: a primeira reacção é reveladora.