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28/01/2024

Semanário

Os dias da semana passada foram mais movimentados do que habitual aqui no blogue como previra ao escrever que há diferença entre publicar antes ou depois da meia-noite. Gosto de variar. Foi uma semana mais popular das Comezinhas, o que não quer dizer que não voltem à concha - à discrição. E não se trata de estratégia ou justificação, é o que sinto. Sempre fui de ondas e apesar da idade trazer uma certa estabilidade, nunca me afastarei da inconstância.


Vi mais um episódio do Mundo à Vista na Escócia e fiquei com aquela sensação de intimidade com uma parte do mundo que desconheço. Como explicar? Ao aproximar-se das preocupações e interesses dos habitantes de cada lugar que visita a autora do programa consegue humanizar a viagem. Há uma espécie de vizinhança entre a estadia em Miranda do Douro e a visita a uma ilha perdida nas terras frias da Escócia.


Esta semana o P. amigo e veterinário do Ritz veio vaciná-lo. Conversa sempre boa de pessoa inteligente, com trocas de impressões sobre aspectos profissionais. Contei-lhe que ao contrário de outros tempos em que os dias de trabalho eram martirizantes face à convivência com pessoas tacanhas, actualmente vivo em regra a serenidade boa numa relação harmonizada com os colegas. Ele contou um episódio delicioso de uma senhora que lhe havia pedido para matar uma carpa e face à sugestão evidente para tirar o peixe da água retorquiu se não era possível cortar-lhe a cabeça. Em todas as profissões estamos sujeitos ao absurdo.


Além dos vídeos do YouTube, que aqui relatei, li uma crítica literária de que gostei muito – é bonito perceber a forma como as pessoas se entregam e vibram com as leituras. É uma forma de conhecer dois mundos: o da obra/autor e também o do crítico. E ontem dei por mim, a propósito de eventuais batotas de "conhecermos" a literatura através das recensões, a rir com a oferta de resumos de A Arte da Guerra, de Sun Tzu. Antes não tivesse rido. Poderia isso sim começar a zombar de mim própria pela confusão que fiz ontem, aqui patente hoje no penúltimo post, entre O Livro de Shang Yang (este sim, li e aqui publiquei fotografias em 2020, e é acerca de administração e reforma política - e o tratado da mesma época, A Arte da Guerra, de Sun Tzu, de estratégia militar. Enfim, vivendo e aprendendo. Bem espremido, o que me apetece dizer? Não terei tempo para ler a ínfima parte do desejável, pelo que não me faz espécie alguma que a par das leituras das obras, leia ou veja vídeos com críticas quer aos que li ou vou ler, quer aos que não vou ler. E se é possível fazer confusões como a que fiz apesar de ter lido, o que se passará quando só se sabe de ouvir dizer.


Não tenho visto os jornais televisivos com grande atenção e nos últimos dias li pouco mais do que as gordas. Para ser muito directa quanto à vida política portuguesa no fundo tudo se reduz a uma ideia de que somos (os fartos disto) acusados: desprezar os partidos ditos moderados – o centrão PS e PSD – é dar margem para o crescimento do Chega. Hoje ouvi de passagem Francisco Assis diagnosticar a táctica da extrema-direita: reduzir a história da democracia a uma história de fracasso. Tem razão, isso é feito. Mas não só pela extrema-direita. É feito pelo senso comum da rua e isso dá votos (aumentar os salários e as regalias da função pública também). Ventura corre atrás do que pulsa a rua para a alimentar. Quanto à ideia de cima, desculpem-me o uso do português popular, mas lá dizem os portugueses que quanto mais te agachas mais se vê o cu, isto é, há uma fatia da população (ainda não muito significativa, caso contrário o PS não teria tido maioria absoluta em 2022) cada vez mais farta do centrão e Ventura, que é antes de tudo um oportunista, limita-se a cavalgar a onda. O mal está em Ventura ou nas razões prévias para o descrédito? Já me cansa dizer o mesmo há anos e bem sei que não se pode dissociar isto dos ventos que vem lá de fora, mas é perfeitamente legítimo que os portugueses, apesar da Democracia não ser um fracasso, lhe vejam os podres e não perdoem. Quanto à ilusão do fracasso, pese embora as críticas que podem ser feitas aos sucessivos governos, as ladainhas da pobreza nascem nos jornais que ecoam e promovem a mentalidade queixosa e trapaceira dos portugueses - a cada momento e quando dá jeito abstraem na melhoria significativa das condições de vida nos últimos cinquenta anos. Dito isto, não há que haver paninhos quentes noutros planos. A título de exemplo: a corrupção não é invenção, a falta de equidade na distribuição da riqueza e no acesso às benesses do Estado não é invenção, o peso excessivo e o encosto no Estado não é invenção. Enquanto os ditos moderados continuarem a não dar o braço a torcer, rindo do sarcasmo das peças de humor e escárnio dos jornalistas que substituíram as notícias, e enquanto os destinos do país estiverem à mercê dos casos de Justiça, Ventura esfregará as mãos e engordará.


Entretanto deixo fotografias do passeio habitual ao Parque da Cidade tiradas hoje ao início da tarde. Ao contrário do costume desci pelo caminho do lado esquerdo. Vi várias pegas. Primeiro uma sozinha saltitante, depois duas esvoançantes e no fim quatro inquietas. E hoje para variar ponho as fotografias por ordem cronológica inversa.


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