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21/01/2024

A visão do inferno

Perdoem-me a fulanização, mas hoje vai disto. É provável que daqui a um ano tenhamos Donald Trump na presidência dos Estados Unidos, guerra alargada com a Rússia provocada pelo facínora Putin, numa primeira fase no norte da Europa, com a intervenção da NATO e o patético Pedro Nuno Santos à frente do Governo de Portugal. Se não for ele, pontuará Luís Montenegro e aí teríamos a oportunidade de ver essa coisa que dá pelo nome de Hugo Soares a definir políticas do país. Até arrepia a alternativa. E os espernéficos da ala mais à direita da Aliança Democrática. Venha o diabo e escolha. Em que votar? Nulo novamente, não me resta alternativa. Enquanto insultarem a inteligência e dignidade dos portugueses, não vejo razão para dar o meu voto. Bem sei que já aqui defendi que deveríamos escolher o menos mau. Convenhamos que é cada vez mais difícil encontrar o menos mau, tanto mais que são afastados pelos "fazedores de opinião" de sucesso.


Com que se entretém os vips dos jornais, blogues e redes sociais? A envenenar por ódios pessoais e incapacidade de largar os velhos hábitos de pilhagem e de bullying próprios de ganapos do liceu, com o ar mais angelical possível, sempre como se fossem impolutos e estivessem a denunciar amoralidades na política. Sempre blindados do jogo baixo dos factos seleccionados a dedo e na argumentação viciada e dissimulada a que chamam debate de ideias democrático. Habituados que estão a audiências incapazes de juízo crítico e que por isso engolem e replicam todas as patacoadas. Assim perpectuam o encosto nos grupelhos e na peçonha da intriga política.


Há anos havia um programa pateta na televisão com uma rábula que acabava com o naufrago a dizer face à realidade que encontrava quando era salvo: tirem-me daqui, quero voltar para a ilha. É isso que sinto. Quando olho em volta só me apetece voltar para a ilha. À falta da possibilidade de viver sem ter que levar com o constante sucesso e crescendo da estupidez alheia - responderei com sucessivos textos de vulgaridades e apontamentos narcísicos. Sempre tenho de me distrair com coisas menos absurdas. Face à canalhice com que me deparo constantemente creio que chegarei a ter oportunidade de fazer postais acerca do diâmetro dos folículos da penugem do dedão do pé - a minha ilha. Já esteve mais longe.


Bom Domingo.