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18/01/2024

O tempo dirá

É inevitável pensares com os teus botões: é sempre deprimente assistir à exibição de louros à custa de outrem - a quem não se presta o devido reconhecimento. Quando é sistemático mais ainda – ficas a compreender melhor o propósito dos elogios interesseiros dentro das matilhas e os mecanismos do “alegado” sucesso. Não há pingo de vergonha. Quem age assim só acerta na opinião que expressa por acaso e não por consciência estruturada.


Havendo Justiça estas coisas seriam penalizadas. Mas enfim, isso da Justiça não te compete. A ti cabe apenas observar e anotar – e por consequência calha-te também ficar com a o rótulo de mau feitio. Com jeitinho, o rótulo de ressabiada, moralista ou puritana. Como é sabido gente intelectual e moralmente superior disfarça todas estas pechas, faz escárnio e desconfia dessa menoridade da procura do bem comum e da verdade - nunca é por bons motivos, nunca terá bons resultados, vaticinam mistificando episódios ou figuras da História - enaltecendo o cinismo e a sacrossanta ironia – esse bem maior sagrado que todos buscam: o humor. Pena que a ironia, por mais valiosa seja, possa servir apenas como instrumento de inteligência desbaratado sem qualquer garantia de nos trazer acerto ou felicidade. Sem querer armar-me em sibila* preconizo um futuro não muito longínquo no qual se reconhecerá que o humor tomou o lugar da religião e foi convertido em arma de fanatismo.


Outra nota que te ocorreu ontem foi a da reciprocidade, uma regra de ouro do carácter. Nunca compreendida por quem se comporta de maneira arrogante e gananciosa. Amealhar o que é dado (ou usurpado) e usar em proveito próprio sem responder à dádiva de forma idêntica ou reconhecer a origem é próprio de gente ou de actos que não prestam. Normalmente esta característica vem associada a uma série de outras: a mentira, dissimulação, desconsideração, agressividade (encapotadas ou não). E assim definham as relações. E assim definham as sociedades e os países – no egoísmo.


 


*A despropósito. Li A Sibila há uns anos no local de trabalho no monitor do computador enquanto envelopava os à época mil e tal envelopes mensais - havia mais mãos a ajudar.