Às oito menos dez da manhã estávamos à porta do Centro de Saúde. Fui acompanhar o Nuno na consulta de rotina. Às nove e trinta e cinco estava a trabalhar na empresa. Nada como viver e trabalhar no centro da cidade com quase todas as comodidades perto. E marcar as consultas para a primeira hora da manhã de modo a não faltar ao tempo de trabalho. Único mínimo contratempo: deixei o guarda-chuva no Centro de Saúde. Há muito não me acontecia perder um.
À hora de almoço fui às duas lojas de chineses aqui da rua: numa comprei um guarda-chuva que me parece de franca má qualidade - lá terei de ir a uma loja tradicional ver se encontro um decente -, noutra um auricular com fios. Na terça-feira deixei cair e pisei os meus: ups, feneceram. O dono da loja perguntou-me se queria dos bons: tinha uns a três e os que escolhi a seis euros. Testei logo. Disseram que me ouviam bem pelo que o microfone não deve ser mau e como oiço bem, óptimo. Assunto resolvido. No fim-de-semana comprei também aqui na rua, num indiano, uma capa nova para o telemóvel e pus película.
Esta semana calcei dois dias as botas que recebi de presente no aniversário. Magoam, ao contrário das do ano passado. Talvez também por isso à hora do almoço tenha baixado uma neurazita. Joanetes massacrados por calçado apertado podem contribuir para o mau humor. Joanetes? Ai credo, tema vergonhoso de gentinha. Este blogue vai de mal a pior.
O mau humor passou com o retomar do trabalho à tarde, depois da descida a pé que me incomodou bastante. Há anos venho falando (soa a brasileiro?) do bem que faz à mioleira estar cansada à hora de dormir à conta do dia de trabalho e de como trabalhar e manter a mente ocupada com tarefas rotineiras – não necessariamente estimulantes do ponto de vista intelectual - faz maravilhas à saúde mental e emocional. Contrariando um pouco as teses que estiveram tão na moda nos últimos anos acerca da estupidificação da vida moderna. Aqui poderia explorar temas relacionados com o uso das tecnologias e as ladainhas do costume, mas por agora vou ficar quietinha – e insisto nos diminutivos, pareço a cabeleireira da minha adolescência para quem tudo era “inho”.
Voltando às rotinas do quotidiano pessoal e profissional. Claro, se não tivermos tempo suficiente para vir e estar à superfície vivendo as emoções e razões que precisamos experimentar, acumulamos mal-estares, o que é nocivo. Em tudo há que saber dosear. Mas para isso serve aprender a expressar o que pensamos e sentimos, não deixando o corpo somatizar. Bom, e ser bafejado pela sorte de ter por perto pessoas que permitam tal possa acontecer. Gente de carne e osso com quem possamos dividir alegrias e desgostos. Com quem possamos contar. É um equilíbrio difícil esse de conseguir ocupar a mente com tarefas impostas pela obrigação de nos sustentarmos e delas tirarmos prazer e ainda conseguir desfrutar de tempo com o que mais gosto nos dá – os nossos interesses e aqueles a quem queremos bem.
Se a vida for correndo de feição, a idade traz esse privilégio de encontrar paz no dia-a-dia. E o pique de adrenalina necessária à felicidade. Naturalmente estragada aqui a acolá por pequenas ou maiores contrariedades.
Entretanto depois do jantar fiz as compras online do Continente.
E pronto: só trivialidades ou não estivéssemos nas Comezinhas. Está feito mais um dia.