![]()
![]()
Fim de tarde de limpezas. Momento para tirar lixo do meu dia-a-dia, não só físico como também e sobretudo online. Afastar e ignorar tudo quanto não presta. Poderá dar um pouco de trabalho, como tirar o cotão debaixo das gavetas da cama, mas nada como a decisão de melhorar a vida tornando o ar mais respirável. Já o devia ter feito há muito. É o que dá procrastinar. Perde-se tempo com o que não tem valor.
Entretanto oiço políticos na televisão a perorar acerca de tudo quanto foi dito, debatido e rebatido nos últimos anos. O país pode não sentir, a mim soa tudo a requentado - a dèjá vu. Muita excitação, muito teatro de todos os flancos, em palavras escolhidas para atrair. E o que penso? O que está à superfície - no discurso, no debate - nada tem a ver com o mundo real cada vez mais convenientemente escondido dos ecrãs de televisão e dos computadores entregues ao folclore mediático, aos interesses partidários, corporativos e de grupos de interesse económico, social e cultural ou mesmo a meros caprichos de egos com voz audível a que passaram a chamar realidade - um mundo fictício paralelo vinga. Quando chegarem a ver a realidade de hoje já o mundo terá outra configuração - nunca o vêem em tempo real, limitam-se a debitar conclusões do que já foi como se dessem lições de História - correndo atrás do prejuízo como dizem os jornalistas desportivos. Nunca chegam a tempo e desprezam os que antecipam ou vivem em tempo real - chamam-lhes lunáticos, incompetentes, falsos moralistas, tudo serve para insultar. A fórmula mágica de manter o mundo sempre nas mãos de quem não presta e afastar do poder quem podia fazer melhor.