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27/01/2024

A geometria e outras disciplinas que tais

Hoje na qualidade de Xerazade de trazer por casa estás virada para o resumo e relutante em estenderes-te por assuntos que te são difíceis compreender. Vais abreviar. No post de ontem contaste que Eratóstenes mediu há mais de 2000 anos a inclinação da luz do sol ao meio-dia do Solstício de Verão em Siena e Alexandria e fez a experiência usando a distância entre estas duas cidades. Como a Terra tem curvatura – não é plana - a diferença entre os ângulos vai estar para 360° (volta inteira à Terra) tal como a distância em quilómetros entre as cidades está para a circunferência da Terra. Aplicando a regra dos três simples, divide-se os 360° pela diferença entre os ângulos da sombra nas duas cidades, multiplica-se pela distância e encontra-se o valor real da circunferência da Terra, que se sabe hoje ser de 40.075 quilómetros e à época foi calculada em 40.160, ou seja, uma medida muito aproximada.


Sabendo o tamanho da Terra é fácil calcular o tamanho e a distância para a Lua e o Sol. Através dos eclipses e das fases da Lua. Num eclipse lunar – no qual a sombra da Terra corresponde à circunferência da Lua - fica-se a saber que a Lua é ¼ da Terra e qual a distância entre as duas. No quarto crescente ou minguante – em que está metade iluminada pelo Sol e está a 90° da Terra, pode-se apurar a distância em graus entre a Lua e o Sol, e sabendo que a soma de um triângulo é sempre 180º, fica-se a saber os ângulos entre os três vértices – Sol, Lua e Terra. O que permite calcular a distância entre os três.


Para os que têm a mesma dificuldade que tu em entender coisas simples como esta, usas o exemplo do radar nas auto-estradas, a velocidade é calculada a partir de duas fotografias em pontos diferentes e a diferença de tempo em percorrer a distância.


Apesar desta simplificação não ficaste a perceber inteiramente o que acabaste de escrever mais acima, pelo que voltarás à carga mais tarde. Não dirás amanhã para não te comprometeres com promessas que dão cabo da tua disposição. Detestas falhar. E isto é apenas consequência de um punhado de páginas de um livro de um astrónomo. Talvez se perceba assim porque lês poucos livros: demoras eternidades a deglutir cada página e precisas de ajuda extra para exemplificar as abstracções. E estas páginas que leste há poucos dias ainda têm muito sumo para espremer.


Como nota final referes apenas que devias ter aprendido isto no liceu, mas não recordas tê-lo feito. Foste boa aluna a matemática até aos 12 anos e a partir daí, como a entrada na rebeldia da adolescência foi o caos – nos 13/14 anos sofreste de estupidez galopante, só tendo recuperado algum juízo a partir do 10º ano, mas há época entre esse ano e o 12º não era obrigatória a disciplina de matemática. Resumindo: chegaste a adulta sem entender regras básicas da matemática e da geometria. Tu e muitos compatriotas, talvez a maioria.