Como ter sempre razão? Essa impossibilidade, se houver rigor.
Nunca admitindo erros de avaliação. Galopando de perspectiva em perspectiva, encastelando-as em retórica como se de um jogo de Tetris se tratasse, escondendo no discurso erros de julgamento anteriores, na esperança que se apaguem da memória. Enumerando a cada discussão os eventos vantajosos ao próprio ponto de vista, ao mesmo tempo que se oculta os desvantajosos. Em suma, usando a lábia. Havendo destreza intelectual a imagem será a de consistência. “Só é que”, como diria o meu professor Hörster (neste teclado o trema faz-se com o atalho “Alt” 0246 u), a falta de modéstia e verdade acabam por se relevar, retirando valor a pessoas que assim procedam. É pena, há gente válida e capaz que, se tivesse consciência dos benefícios da honestidade e humildade, poderia vir a ser notável. Assim serão apenas malabaristas da opinião a animar ou entreter público.
O professor Hörster limitava-se a dizer “só é que” e a treinar mentes juvenis na Teoria Geral do Direito Civil e Direito da Família, em casos práticos nos quais pontuava sempre uma tal Berta. A parte moralista do parágrafo anterior é inteiramente da minha lavra, só referi o alemão por usar aquela expressão e por ajudar na noção de rigor que tanta falta faz aos portugueses, muito em especial, aos sabichões da opinião de sucesso em Portugal, onde rigor e severidade só são exigíveis aos outros e nunca a si próprios.