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21/09/2022

Mais menoridades

A propósito de um post de ontem sobre máscaras.


Em regra, nada me repugna no uso de pseudónimos, heterónimos, etc. e tal, ou mesmo no anonimato. Sucede que nem sempre o dito é usado para dar asas à criatividade, mas antes para azucrinar alvos precisos. Nada que não suceda com quem se identifique. Aliás, há os que acumulam: perfil identificado e perfis falsos. A dissimulação pode ser usada e causar ainda mais estragos por quem usa nome e apelido quando minimamente inteligente, engenhoso e sem escrúpulos.  


(hoje para variar vou escusar-me relembrar a pulhice a que fui sujeita no passado.)


O mundo online é tal qual o mundo físico. A aparência vinga. E os grandes proclamadores dos melhores princípios podem bem ser o que mais prejudicam quem consigo se cruza e não vai ao beija-mão.


No passado fartei-me de usar o que se chamava no início destas actividades cibernéticas nicknames. Usei o mesmo anos a fio em várias plataformas e quando regressei em 2018 voltei a usá-lo. O que só me trouxe vantagens, por voltar a rever gente de quem não sabia há 15 anos. Esse e outros que usei pontualmente ou apenas o nome próprio estavam, em regra, suportados nos meus endereços electrónicos que contém nome e apelido. O facto de não usar explicitamente nome e apelido tinha muito menos a ver com medo de assumir posições próprias e mais com a vontade de não desbaratar um apelido que não me identifica apenas a mim. Naturalmente quis preservar os que me são mais importantes.


Não sou impoluta. Recordo situações pontuais em que não tendo assinado nome e apelido vinquei posições a até me chateei. Na grande maioria dos casos, em igualdade de circunstância com quem se me opunha. E mais uma vez com suporte identificável. Não tenho a menor tolerância com moralistas e acusadores que, apesar de se afirmarem absolutamente puros e corajosos, a qualquer momento se revelam traiçoeiros.


Entre 2007 e 2018 afastei-me deste mundo a bem da saúde. Tinha medo e nojo deste mundo virtual. Quando se dá opinião, ainda que básica e sem pedigree, sobretudo se for política, e quando militantemente não se integra as tribos de protecção e ataque que se estabelecem na praça, agindo por conta própria, de modo inteiramente independente, está-se sujeito ao ódio e ao desprezo (a par, é claro, de algumas boas almas, em regra fora do mundo dos caciques virtuais, que vão permitindo que se respire). Por cada pecadilho meu, há uma pulhice de outro alguém. Anónimo ou identificado. E já lá vai o tempo em que, sabendo-me conscienciosa e usando isso, conseguiam amedrontar-me com intimidação traiçoeira e confundir-me com falinhas mansas.


A táctica de sub-repticiamente dizer que somos todos iguais por aqui não vingará: há uns bastante mais podres e falsos do que outros, por mais heróis se queiram apresentar.


Boa tarde.