Dias tensos e apinhados do que fazer. No passado fim-de-semana a necessidade de desligar o botão para conseguir o desejado sossego. Conversa cúmplice com quem já viveu suficientes dificuldades para se deixar abater às milésimas contrariedades. Um colo íntimo e amado que compreende o estrebuchar e a reactividade às adversidades. Decisões importantes para futuro. A mais importante. Quando tudo treme descobrem-se as réstias de forças que impulsionam novos caminhos e novo élan de vida.
E a semana entrou a ferros com má notícia profissional. Cá estamos para enfrentar o que der e vier. Mais um abano. Mais um estremeção. O dia seguinte correu com mais consultas médicas da praxe (sem qualquer preocupação) e burocracias. Avizinham-se os 80 anos do pai e a vontade da filha em escorripichar os pais o mais possível com as memórias que se perderão se não forem transmitidas agora com tempo e disponibilidade para audição atenta, só existente em criança ou depois dos 40 - parece-me normal na adolescência, nos 20 e 30 centrarmo-nos mais em nós.
Aproxima-se o pulo aos canais do Norte e hoje parei para ver o mapa por mais uns minutos - em Agosto passei os olhos de relance para calcular percursos, hoje voltei ao mesmo, ainda assim será à descoberta já que o cérebro está cada vez mais preguiçoso. O certo é que a logística me deixa ansiosa e a decisão de comprar os bilhetes e ir em frente teve muito a ver com a necessidade de quebrar o círculo vicioso dos receios que me atam a casa ou territórios de mais fácil gestão. Não há como enfrentar os medos para superá-los, ainda que tudo isto soe a coisa muito pequena para quem se aviou sem o mais pequeno pingo de preocupação numa primeira viagem fora de fronteiras sozinha aos 16 anos. Às vezes tenho saudade do desembaraço da adolescência e da juventude.
Durante o dia pensei em escrever sobre (a nossa) tolerância e intolerância. E descobri o primeiro véu para o terceiro dos quatro ou cinco livros que tenciono escrever se chegar a velhinha. Pensei em escrevê-lo à mão. Se não valer por mais nada, valerá só pelo que vou rir ao não conseguir decifrar o manuscrito. Não há nada como rir comigo própria. Antes disso, convém dar a corda aos sapatos das Tílias até porque fazendo as contas já não tenho uma década para cada livro. Ah e tal e coisa conversa com os meus botões: falas demais, rapariga, contas demais e assim não és levada a sério. Além de dares o ouro aos bandidos. Ah, pois é.