
Um dos pratos que mais gosto: polvo à lagareiro. Luxo muito pontual nos dias que correm.
Acabo de fazer compras no Continente Online e mais uma vez tomo pulso ao absurdo aumento dos preços, por exemplo, nas frutas e legumes.
Bem sei que os contra-clichés ditam que é de mau tom colocar fotografias de comida e falar do vil metal, mas pouco considero os comentários humorístico-pirososos dos novos fazedores de tendências.
Deixo apenas pequenas notas.
Uma para dizer que depois de anteontem ter acabado o saco de amêndoas de chocolate da Páscoa, resolvi comprar uma tablete de chocolate de leite com avelã, que me custou 3,99 euros (799,92 escudos). É bom que dure até ao Natal.
Não tendo ouvido quase nada na televisão sobre a morte da Rainha Isabel II, nem lido quase nada sobre o mesmo assunto - desliguei a televisão e desviei-me das páginas para não me aborrecer ou entediar muito -, hoje resolvi usar a box de gravação para voltar atrás (estrangeirismo seguido de redundância) e ver e ouvir, exclusivamente, a recepção no Palácio de Buckingham e o primeiro discurso do Rei Carlos III, tal como as declarações no Parlamento britânico. Reparei num pormenor: o líder da oposição disse, por outras palavras, que deviam seguir o exemplo da Rainha elevando-se acima do comezinho, do dia-a-dia, tratando do que é realmente importante. Nunca tinha dado pelo facto da Rainha Isabel II professar essa ideia. Mas lá está, o britânico é o líder trabalhista Sir Keir Starmer e ele lá deve saber melhor do que eu o que pensava ou deixava de pensar a esplêndida Rainha do Reino Unido. Por mim, continuo a preferir ouvir o vilipendiado pelos jornais e pela mentalidade dominante Boris Johnson. Liz Truss esteve bem, mas ainda não tenho opinião formada sobre a actual primeira-ministra do Reino Unido.
Imagino o horror que cause a muitos comentar-se a morte da Rainha Isabel II num post que tem como entrada um prato de polvo à lagareiro e no qual se fala de preços do supermercado. Podia ter-me limitado a ficar calada em respeito pela morte de uma grande estadista. Também seria uma forma de respeitosa vénia, no meio da profusão de emoção efémera e elogios vãos. Mas saiu assim: mostro respeito sem rótulos fáceis nem adornos supérfluos.