De poesia nada entendo senão isto: leio versos de modo regular desde os 13 anos. Tão embebida nos poemas, no que eles dizem e como dizem, nunca parei a pensar acerca de poesia para dela falar. Propunha-me escrever hoje uma resenha sobre a minha relação com os poetas, mas é cedo. Ou melhor, preciso de mais atrevimento para escrever de modo sério. Virá a seu tempo.
Por agora digo apenas que gostei de entrar na poesia de Nuno Júdice. Da forma fluída e franca. De certa ingenuidade, que muito prezo. Da sensualidade e da ironia. E, pasme-se, do facto de me ter feito rir alto, que não é comum ao ler um poema. Não amachucando a erudição clássica está longe de ter a escrita presunçosa (que tanto me repele) de quem corre atrás das palavras e das formas felizes. Pelo contrário, deixa-se levar pela voz que sopra ao ouvido, a que os poetas chamam assobio.