Já me havia esquecido. O tempo faz-nos contemporizar com atitudes que não devíamos deixar passar em claro. Mas hoje a propósito de uma leitura recordei o momento em que tive uma discussão, iniciada por mim de modo duro para defender o que considero essencial. Continuo a julgar ter razão, mas isso é o que menos interessa. O importante é o modo como cada um está na vida e o tipo de armas que usa. Finda a discussão logo surgiram pessoas em meu entorno a apoiar-me e elogiar-me, e o que fiz? Silenciei-as. Por não querer ataques fáceis a quem me opus, não querer claques, nem precisar de intriga para fazer prevalecer os meu ponto de vista. Que fez a outra parte? Silenciou quem o punha em questão e me apoiava (sendo que não conheço quem defendia a minha posição), preferindo dar voz apenas a quem me diminuía. São formas de estar na vida. É nos pequenos pormenores que se revela o carácter. Não escrevi isto na altura por achar uma menoridade ou mesquinhice, mas não é. Estou fartinha de ver gente a afirmar-se à custa da desonestidade (apregoando valores que não pratica) e de sempre condescender, pondo a hipótese de ser eu a estar errada. Não, não estou. E não me devo deixar levar pela retórica e falinhas mansas, que em nada jogam com as acções dos seus autores. Estou farta de iluminados e de heróis da fava rica, todos muito parecidos.