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25/07/2024

Saltitões

Não me lembro do nome, mas em novita via os meus primos mais novos brincar com um jogo de tabuleiro a que vou chamar Saltitão. Consistia em dar marteladas rápidas nos bonecos que saltavam enfiando-os no tabuleiro.


É o que me traz à memória a Actualidade. Numa semana há uma manifestação anti turismo de massas em Barcelona, na semana seguinte saltam umas tias empolgadas em Sintra e Cascais possessas com o desassossego no seu quintal. O Presidente da Câmara de Lisboa, então, vai a todas saltitando de excite em excite. E reparem, tem todo o ar de ser boa pessoa.


Note-se que não julgo a bondade das causas. Às vezes o que os move é benigno. É boa vontade. Mas não deixam de ser curiosas as qualidades que se exigem para riscar no espaço público no presente. Rapidez de reflexos, mais do que consistência. E claro que ponderei o outro prato da balança. O imobilismo atávico que deseja conservar tudo num passado idílico imaginário. Convenhamos, duas modalidades de unicórnio.


O palco do espaço público assemelha-se a um velho Liceu dicotómico onde leccionam provectos professores já esclerosados, mas cuja gestão pedagógica está entregue aos caprichos da Associação de Estudantes pejada de ambiciosos excitadinhos da Silva dos 8 aos 80.


E pergunta quem passa: mas que raio este postal contribui para minha felicidade? Pergunto-me o mesmo. Estou solidária com o leitor. Não sei se patrocine uma Manif para fechar a cadeado as Comezinhas - este antro de balelas. Afinal hoje vale tudo para chamar a atenção.


Boa noite.