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17/07/2024

Leituras especiais

Há hora e meia corri atrás do caderno florido que sei estar algures guardado, quase imaculado, pronto a ser escrito. Comprado há pouco mais de dez anos. Não o encontrei, mas dei com um caderno de capa preta e resolvi ver o que lá estava registado. Afinal sobraram escritos à difícil vaga de 2007 na qual achava ter rasgado tudo quanto havia escrito até então. Descobri sem querer o fraco, confuso e naïf diário de dia 6 a 20 de Setembro, e de um ou dois dias seguintes. Tão defeituoso quanto revelador da réstia de força que me movia.


O Verão de 2007 e esses dias em particular foram o pior momento da minha vida e também a viragem. Reviver isso nesta hora e meia fez-me situar. Primeiro recordar como pode ser crua e dura a vida, depois compreender como uma fase má do passado foi superada e isso não me dar especial orgulho, nem vontade de vanglória, mas apenas alívio – pode ser que amanhã já encontre motivo de alegria, agora ainda está fresco.


À época não divergia muito das preocupações de agora. A situação do mundo, do país e as questões a eles atinentes, as fragilidades próprias e planos pessoais. Vontade férrea nos propósitos. Até o pormenor da constante caça aos muitíssimos erros ortográficos próprios é comum. Com a diferença fundamental do que mais ressaltava naquele momento ser a busca e resoluta decisão da independência, essencial à minha realização e bem-estar. Independência esmifrada à custa de suar as estopinhas.


Enfim, tudo irrelevante: apenas vida de uma qualquer preguiçosa sem valor num mundo cheio de gente especialíssima, muito agradável, simpática, inteligente, trabalhadora, competente, talentosa, generosa e merecedora de todas as mordomias.