Tudo me causa reparo no Cristianismo. Nossa Senhora ou Virgem Maria representa tudo quanto uma mãe não é. Mãe é por natureza biológica injusta e agressiva na defesa das crias. A benevolência e bondade da Virgem Maria é uma ficção mal-amanhada. Deus é representado como pai. Masculino. O que não faz sentido algum, como de resto não faria sentido se fosse feminino. Deus há-de ser uma entidade neutra, assexuada. E a figura do Espírito Santo não me satisfaz. Por isso me refiro sem diferença a Deus ou Universo. Deus está acima da família e da questão da fecundidade humana, apesar de ser esta que dá aos homens o sentido da vida. Cristo como sacrificado por todos nós é a visão mais medonha que se poderia conceber. Um filho sacrificado é sinónimo de terror.
Nada faz sentido. Ainda assim todas as semanas, de segunda a sexta-feira, desde há mais de um ano entro na igreja pela qual passo de manhã antes de ir trabalhar e rezo três Ave-Marias, um Pai Nosso e a Oração do Anjo da Guarda. Entro e saio da igreja em coisa de dois ou três minutos e muitas vezes sinto este paradoxo. Que raio lá vou fazer se penso como penso? A razão está na paz que encontro comigo pela educação que tive em criança. Sinto-me tranquila e sem ressentimentos face à religião, apesar de questionar tudo quanto é professado pela Igreja Católica. Nunca tive motivos fortes para me sentir mal com Deus ou Universo, apesar dos erros da Instituição que pretende representá-lo e não sou desconhecedora de todo da sua história e causas.
Dizer isto implica para os não crentes falar do que não tem interesse e para muitos intelectuais crentes a ideia que sou uma ignorante teológica. Uma furiosa néscia do movimento woke. E considerarão tudo quanto acabo de afirmar sobre o tema argumento risível de tão ridículo. Marimbo no rótulo. É mesmo assim, apesar de desde criança pequena conhecer os evangelhos por curiosidade própria ainda que não saiba sistematizar os ensinamentos. Não costumo anunciar tudo quanto conheço nem me vangloriar de sabedoria como é tão usual no espaço público. Vivo bem com os rótulos e com a minha tranquilidade apesar do habitual questionamento. Faz parte. Interpreto o Cristianismo como um conjunto de princípios de bondade a praticar em vida. É o que me importa, tudo o resto é moldura que me diz pouco ou nada.
Estou convencida que o dito neste texto não destoará do que muitos pelo mundo fora pensam. Isso transformará este post numa banalidade inútil?