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28/07/2024

Fim-de-semanário

Afinal continuo com o comezinho. Ontem passei parte da tarde na Aguda. Na Associação Cultura Curto Espaço. A casa festejava oito anos e chegámos ainda antes de abertura. Os horários ali são de franca liberdade. Gostei de conhecer um espaço acerca de qual há me havia chegado eco por quem é pouco apreciador – nada como ouvir sempre e conhecer os dois lados das causas; é o caminho mais difícil e cansativo, mas é o que me calhou. Fui com a T. de comboio. Saímos na Aguda e no regresso apanhámo-lo na Granja. Há quantos anos não me passeava pela Granja.



 



Como tinha dormido apenas três horas a disposição não era grande pintarola. Havia-me cansado muito, a mim e ao Nuno, com conversas exaustivas. Mas não tive coragem de desmarcar. Fiz muito bem em obrigar-me sair. Só faz bem arejar e já estão apalavradas outras saídas com a T., voltarmos à Aguda, mas para fazer praia. E jantarmos com o C.


A chegada a casa não foi feliz. O Nuno teve um episódio de epilepsia. O que nos assusta sempre. A mim pela surpresa do fenómeno e pela sensação de impotência. A ele quando lho conto, por não se aperceber que passou por uma alteração de consciência. Hoje pela primeira vez li na Internet acerca da maleita. Não me recordo ter lido antes apesar de no passado ter tomando três anos medicação para epilepsia para tratamento doutra doença, com prejuízo claro das faculdades mentais – não foi só sensação minha, atestaram outros médicos de todo contra-indicado terem-me dado aquela específica medicação. Voltando ao Nuno, o medicamento que toma não parece afectar a bom funcionamento da inteligência, mas ao que verifiquei ontem, a falta de toma de um dia, associada a poucas horas de sono, stress e ansiedade pode gerar uma convulsão. Mais um alerta para termos cuidado e defender-nos. E um alerta para a necessidade de ter o cuidado de não cansar o Nuno. Já chega cansar-me a mim.


Talvez por isso tenhamos refeito os sonos esta noite. Dormi nove horas seguidas, tendo acordado relaxada como devia acordar sempre. Tenciono nas próximas semanas descansar e pôr um ponto final neste estado de exaustão que tenho vindo a viver. Uma noite bem dormida e um acordar com ânimo para um pequeno-almoço farto. Mais olhos do que barriga. Foram as duas torradinhas (ai o erro crasso de linguagem no uso de diminutivos; heresia) com café, e dividi com o Nuno a metade da fatia de bolo de chocolate que comprei ontem de manhã na padaria. Não tive vontade durante o dia de ontem de a comer, e hoje também não me souberam por aí além as duas garfadas que ingeri. Cedo demais para doces.


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São agora nove e meia da manhã e tenciono ler os jornais online.


Para que não se pense que consigo um postal sem uma alfinetada – interpretada como mexericos por precipitadinhos da Silva ou mesmo maliciosos; sabem lá da contenção e do bom senso precisos para travar os dedos face a injustiças violentas dissimuladas – digo apenas que há todo um mundo para lá do “eu é que sou o Presidente da Junta” manifesto seja na forma seja na substância de alguns discursos. O que quero dizer? Que tentar mostrar-se sempre mais conhecedor - alinhando em correntes de linguagem de época, em vagas de moda instruída, para se alçar a grande mestre - por mero despique de achincalhamento é uma menoridade.


Numa olhadela rápida prévia sobre as parangonas o que me saltou à vista foi a forma como os trogloditas ultra-conservadores estão a sair da toca onde estiveram escondidos nas últimas décadas. Quem conhece o fenómeno das agressões dissimuladas por este tipo de gente no mundo online sabe que são muitos e perigosos. Fazem parecer os tontos devotos do movimento woke meninos de coro. Todavia a intelectualidade vip continua preocupada apenas com estes últimos. Apesar das constantes lições de história que gosta de dar, a intelectualidade de pacotilha há-de preocupar-se com os criminosos dissimulados ultra-conservadores quando a coisa já estiver quase insolúvel. Até lá vai continuar a insultar os alvos destes agressores, sugerindo que se trata apenas de má-língua de oportunistas medíocres ou loucos (um cliché da História, chamar louco tentando desacreditar quem alerta para os perigos reais do mundo no momento certo e não tempos depois quando o dano se verifica para colher os louros). E nós aturámo-los. Aos woke, aos ultra-conservadores e aos intelectuais com audiência que vivem de rentabilizar o despique entre facções.