Ontem abriram dois postais antigos.
Trata-se de duas entradas populares das Comezinhas, isto é, com mais visualizações do que é habitual. Um deles à época destacado, presumo que por ser "fofinho" - refiro-me ao Os outros.
Como vejo estes postais à distância?
Gosto deles, especialmente do Sonhos. Mas gostar não me faz deixar de pensar que talvez não tenha sido absolutamente rigorosa. Ou seja, creio que há alguns (não muitos) apontamentos pelo meio do texto que não são matéria de sonho mas de memórias. Deduzo que ao escrever levantei vôo: comecei por me ater aquilo que é memória dos sonhos ao longo da vida para nalguns momentos falar apenas de memórias que não (ou ainda não) entraram no mundo onírico. Será que com este comentário crítico estraguei o lado bonito e atractivo do post?
Quanto aos Os outros à época fui naïf. Este meu modo confessional e auto-crítico penaliza a justiça das coisas por ser branda demais com os outros. Não é que não seja verdade o que lá está plasmado. Mas não devia ter esquecido de referir que o aproveitamento da influência dos outros nem sempre é inocente ou benigno. Há escalavardos que usam o que aprendem com os outros de modo oportunista para singrar à sua custa. Tanto na versão das meninas e meninos que se aproximam com muitos elogios e intimidade e vão sacando para proveito próprio o que podem, usando as fontes de influência, a quem copiam e desprezam - no fundo odeiam usando-as de modo egoísta e interesseiro para satisfazer a necessidade de protagonismo e ganância. Tanto nessa versão mais rasteira, como numa de gente mais sofisticada e fria que explora por observação as influências de formigas trabalhadoras ou criativas e faz delas o seu ganhão-pão, escolhendo de modo oportunista as que reconhece ou não reconhece em função da troca de favores e bajulação - em regra, gente com ascendente ou que acha possuir ascendente. Uns e outros são a base de relacionamento da nossa elite fajuta. Uns alimentam outros.
Vai uma diferença abissal entre este mundinho reles e sujo que acabo de referir - do qual qualquer pessoa de bem deve manter distância higiénica -, do universo natural de reconhecimento da influência dos outros em cada um de nós, de modo benigno - descrita no postal de Agosto de 2022.
Há quem diga que ganharia mais se não fizesse este tipo de considerações. Deveria ir a bem (é mais ou menos isso que me dizem). Ir a bem significa compactuar com a desonestidade e entrar no jogo sórdido. Seria estúpido por inconsciência ou falta de rectidão. Prefiro não agradar e o insucesso a ganhar à custa da falsidade e desonestidade.