Na manhã de ontem faltavam três minutos para sair de casa quando consultei a meteorologia no telemóvel, como é hábito em dias de clima instável para ver se choverá ou não ao longo da jornada. A página informativa indicava que não chovia nem choveria durante o dia: céu limpo com nuvens esparsas.
Desci, atravessei a porta do prédio e comecei a sentir a chuva. Subi para me munir do guarda-chuva. Desci, abri a porta do prédio e já não havia pluviosidade alguma nem choveu o resto do dia. Para não perder mais tempo percorri a pé como usual os dois quilómetros até ao local de trabalho a segurar o implicativo apetrecho que devolvi virgem de humidade ao balde dos chapéus de chuva à hora do almoço em casa.
Pensei como os meus botões: tal qual a realidade mediática versus realidade natural.
Fico com a impressão de andarmos todos desprotegidos debaixo de chuva ou, ao invés, de guarda-chuva pendurado no braço quando não é preciso de tão teleguiados pelo artifício informativo e ficcional. Completamente dependentes e avariados. Desligados da Natureza.
De resto, o estado de alma é este: tenho sono e estou farta de me aturar. Já mudava de temas. E outra ideia fortuita ocorreu-me hoje. Comprar um caderno de linhas e obrigar-me a escrever um texto semanal em papel para acabar com a vergonha de já não saber manuscrever. Agora vou agendar este postal, ler um par de páginas do livro Duracell ainda no activo para ficar mais contente comigo mesma e dormir depois do chuveiro.