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22/07/2024

Chá & Conversa

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O Chá & Conversa de hoje limita-se a reproduzir a notícia sobre as eleições presidenciais norte-americanas e a recordar um trecho do post Madrugada, aqui publicado a 16 de Junho de 2024. Neste momento não tenho nada a acrescentar.


Kamala Harris é candidata à nomeação democrata: "Juntos vamos vencer", no Jornal de Notícias, ontem, 21 de Julho de 2024.



A atual vice-presidente dos Estado Unidos agradeceu o apoio expresso por Joe Biden - que hoje desistiu da corrida à Casa Branca - e anunciou a candidatura à nomeação democrata para as eleições presidenciais de novembro.


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Segundo assunto. As mulheres que falam do comezinho e o paternalismo dos homens conservadores. Há uns tempos, já depois de ter este blogue há pelo menos dois ou três anos, ouvi um homem conservador elogiar uma obra de ficção de uma mulher que falava do seu dia-a-dia e dos aspectos mais comezinhos da vida, transformando-os em arte. Vi esse mesmo homem há menos tempo referir-se a uma política dizendo que havia ali muito trabalho de preparação a fazer porque era inexperiente. Estamos a falar de política internacional e de uma mulher de sessenta anos, que se estreou a trabalhar no mundo político aos 26 anos, começou a exercer um cargo público para o qual foi eleita pela primeira vez aos quarenta e desde aí tem cargos políticos. Porque me lembrei disto agora? Por ser recorrente este tipo de reparo às mulheres. Nunca estão preparadas senão para o comezinho. Ah, tão engraçadinhas que elas são, tão femininas e apetecíveis a tratar da casa. Ou a fazer de rainhas e princesas – um dos papéis mais duros, diga-se. Ou o papel de heroínas. Mas atenção: de acólitas. Essa é a condição. Em matéria de ajuda humanitária, então, é uma questão de vocação inata. Ah, aí é o seu habitat natural, agora política e liderança é para homens experimentados – mesmo quando não tenham experiência nem ponta talento ou valor. E andamos nisto há séculos. Repare-se que não falo de um burro, pelo contrário, considero a pessoa em causa. Mas é o tal costumeiro pezito a fugir para o machismo. Sempre muito disfarçado, muito caridoso, de quem gosta e aposta muito nas mulheres inofensivas.


Deixo só uma nota final para explicar a razão para não nomear figuras acerca de quem falo. Creio já ter tentado antes, a ver se desta explico cabalmente. Vivemos num mundo onde todos sabem tudo, todos têm opinião sobre o mais ínfimo pormenor da vida alheia. Quase todos desenrolam novelos de factos sobre cada situação analisada, acumulando camadas sucessivas de julgamentos prévios acerca de cada detalhe de vida das pessoas e das circunstâncias. Cada pormenor é um factor de adesão a uma falange de argumentos. Ao não identificar as pessoas trato das ideias em vez de me debruçar sobre as pessoas. Recusando-me entrar nesse jogo absurdo de sapiência e de argumentação desenfreada sobre o sexo dos anjos. Curiosamente, a esta fuga consciente da intriga há quem chame conversa de café, privilegiando e enaltecendo a questiúncula minuciosa – a que chama rigor dos factos. Eis uma das mais comuns distorções da realidade do nosso tempo



Escrito e publicado aqui nas Comezinhas, a 16 de Junho de 2024.


 


E termino o post por aqui, até porque tenho de me levantar cedo. Depois do electroencefalograma do mês passado e da consulta de rotina no início do mês vou acompanhar o Nuno à ressonância magnética encefálica. Exame marcado para as 8:30 horas no Hospital para preparar a consulta da especialidade em Agosto. Às 8:30 horas, antes de ir trabalhar. O que vale é que dormi bastante neste fim-de-semana. Retemperada para a semana que começa.


Boa semana.