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26/07/2024

Jantar

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Última fotografia da série de quatro jantares seguidos entre terça-feira e hoje. Coelho estufado com batata cozida. Enquanto dava uns pedaços pequenos pedinchados pelo Ritz, contava ao Nuno os acontecidos do dia e referia como é confrangedora a falta de inteligência dalguns matarruanos auto-promovidos a intelectuais. Esticam-se, esticam-se muito mas não conseguem perceber nada do que vêem à frente do nariz, sempre a gingar entre o julgamento apressado e a adesão às conclusões mastigadas até ao ponto de chavão. O tipo de gente que só cem anos depois compreende o que se passou no tempo presente. Atirando à cara dos outros a História sem a saber interpretar. Transpondo lições descabidas. Enfim, sempre atrasados, nunca chegam a tempo. Jamais abrem caminho, apesar de sempre sugerirem fazê-lo prestando-se ao ridículo de aconselharem outros, supostos ignorantes. Desejariam muito que todos aderissem à paranóia ruidosa de arremesso de argumentos facciosos que promovem a que chamam realismo. Convencidos que são verdadeiros oráculos. Parece impossível haver gente a não querer aderir. Os pobres diabos metem dó de tão agressivos nos seus juízos ora precipitados ora a tresandar a bafio. Em suma, todos os tempos têm os seus patos.


O Nuno sorriu e disse-me que as batatas cozidas estavam boas. Achei a conclusão brilhante. E logo adiante concordámos na segurança das palavras certeiras de Kamala Harris. Inspira confiança. Foi um bom jantar. O coelho saído da cartola estava óptimo. Puro acaso. Magia. Parece fácil, não é?


A ver se por uns dias não ponho fotografias de jantar ou outros tópicos comezinhos não vá causar um enfarte de fúria por enxofre natural nalgum matarruano incauto arvorado em intelectual.