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Começo o postal com uma notícia sobre o Interior do país, como é tratado pelo Estado e a forma de contratação dos serviços públicos com empresas privadas. Leio no Jornal de Notícias «Estado levou internet às aldeias isoladas mas desligou-a após eleições.»
Os equipamentos técnicos que permitiram viabilizar os cadernos eleitorais digitais das eleições europeias nas mesas de voto mais isoladas já foram recolhidos pela operadora de telecomunicações. Os autarcas falam numa oportunidade perdida para acabar com as zonas sem cobertura de rede no território e alertam para a duplicação da despesa, uma vez que nas futuras votações será necessário instalar outra vez os aparelhos.
Ao JN, o Ministério da Administração Interna confirmou que apenas os “circuitos de fibra e de cobre instalados fisicamente” ficaram nas respetivas instalações, tratando-se de material que poderá ser usado “em futuros atos eleitorais”.
Contudo, os “equipamentos de aumento de sinal de rede móvel, equipamentos ativos de rede móvel, cabos de ligação e equipamentos routers e switch de rede” foram “recolhidos pelo operador”.
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Fernando Queiroga, presidente da Câmara Municipal de Boticas, confirma que os aparelhos instalados no município foram “recolhidos na semana seguinte” às eleições. E acrescenta: “Na freguesia de Ardãos e Bobadela, mais precisamente na localidade de Bobadela, onde esteve uma mesa de voto, as pessoas além de não terem acesso à internet, também não têm à televisão, e são portugueses como os outros”, denuncia, lembrando que cerca de 300 pessoas vivem “isoladas” naquela localidade.
O autarca assegura que vai avançar com a contratualização do serviço e critica as soluções de remendo que permitiram levar internet a estas regiões apenas no dia das votações. “A minha esperança era que montassem um sistema para usufruto da população”, afirmou.
Resumindo: cidadão do interior tem um único interesse na perspectiva do Estado: o voto.
Bem sei que os expertos (sim, a palavra existe em português como sinónimo de perito) desenvolverão mil e um argumentos para justificar o injustificável, esmiuçando tudo e mais um par de botas na linguagem asséptica que confere credibilidade balofa e alinhada aos bem-pensantes nacionais. Aliás dirão até que há aqui um vazio de ideias – a expressão na berra no comentariado televisivo com maior audiência para tentar desmerecer quem diz as verdades que o país não está habituado a ouvir e não alinha no fogo-de-artifício mediático causando por isso estranheza e grande reacção adversa.
E das notícias para o mundo das ideias. Não sei bem como a formular. Queria só expressar como é traiçoeira a velha máxima de que alguém para fazer prevalecer o seu valor tem de provar ao “patriarca” a razão, destronando-o. Uma espécie de golpe de estado no pensamento ou mundividência prevalecente. Traiçoeira por representar apenas uma espécie de continuidade de sangue podre que caracteriza a suposta minoria prestigiada da nação. Sangue em sentido figurado. Por favor não interpretem literalmente. Vão-se sucedendo golpistas, que tudo quanto almejam é perpectuar privilégios pessoais e ascendente, poder pelo poder. O lado benigno da mudança, o que tem valor, aquele que beneficiaria a nação, fica pelo caminho sempre renegado pelos que gostam de dizer “cada um que mostre o seu valor" lavando as mãos dos métodos usados como se assistissem ao circo romano. Tenho visto este repto lançado por pessoas que não têm a mais vaga ideia do que é valor e mérito confundindo-os com oportunismo ou apenas circunstâncias e sorte.
Adenda. Este postal foi publicado inicialmente cheio de erros e gralhas. Tentei corrigir o que vi. Peço desculpa.