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23/07/2024

Aviso: lacraus à vista

No Domingo à tarde sonhaste com um lacrau num jardim. Em verdade não o tomas por mau sinal, mas indo às menoridades: diz o pimba ser sinónimo de falsidades. Ora aproveitas para deixar um aviso às macacas e macacos de imitação. Há muitos anos deste um coice e calcaste com pé pesado um lacrau experimentado e passaste a conhecer-lhes a peçonha. Ficaste imune ao ferrão dos mansos agressores. Aproximam-se dissimulados de gente e mesmo de identidade falsa, demonstrando grande admiração e intimidades. Desleais traem a confiança e roubam. Embrulham o produto do furto em papel vistoso reles e regozijam em vão do sucesso das suas vendas. Grande vitória. Na sua enorme pequenez sentem-se grandes criadores - triunfantes. Estão habituados à mimetização e é ela que lhes dá sustento, a pretexto de tudo no mundo parecer coincidência.


A lacrauzita do sonho era pequenita e anda para aí a roçar-se de aprendiz a ver se continua a ganhar a atenção dos promotores. Como tantas e tantos outros fizeram antes com grande sucesso. Deles e delas se cerca e alimenta quem agride. Não percebeu que nem precisa de esforçar-se. É papel-químico em bicos dos pés: falsidade da mais pura. Já chamou a atenção e encantou os olheiros. Tem tudo quanto os atrai e a vida feita como mais uma trafulhazita de matilha.


Só não te esqueças nunca de não cair na mesma armadilha. O alerta também serve para ti. Olha a carapuça. Nunca te ponhas de fora do nojo. Da tentação da facilidade. A sujidade toca a todos. Tens de estar sempre alerta para a contaminação. É sempre mais fácil enganar. Mantém-te a dar coices nos interesses, mesmo que uma vez por outra possas ser injusta ou dura demais como dano colateral.


Quanto ao que te importa verdadeiramente. O lacrau branco do sonho veio só avisar-te do poder da união dos muitos que se querem bem de uma vida inteira. Dos laços fortes e sólidos que não se desfazem. Eternos. Dos muitos que povoam a tua vida e os teus sonhos e continuarão a povoar. As tuas telas vivas do quotidiano de Bruegel. Laços indestrutíveis e imunes à peçonha de grupelhos de interesse que vivem das imitações, dos falsos elogios, da proa, das referências, das citações, dos logros e das traições. Ah, gente fútil e asqueorosa. Vómito. Só ao coice.


E lá passas tu a imagem de mau feitio, tolice, conflituosidade e até falta de inteligência e ausência de educação perante um admirável mundo de tão “fofas” e aparentes amizades, de falsa civilidade, de convívios tolerantes e cordatos, de vidas lindas e vaporosas. 


Assim não vais longe. A lorpa das franquezas e até dos esoterismos, imagine-se. És incorrigível. Mas fica registado: só para que não te comam por parva. Afinal incham cada vez mais à custa da trafulhice. A abominável verdade deste lamaçal.