Li no Jornal de Notícias este artigo: Cidades de elevada densidade populacional têm mortalidade mais alta. Fiquei curiosa pela origem e parti em viagem para A The Lancet Planetary Health em busca do estudo. Como tenho muito pouco tempo e sou analfabeta não o encontrei. Apenas estudos semelhantes com dois e três anos.
Não estou a usar sarcasmo nem a criticar o JN. Mesmo. Aliás, estou contente com o facto de ter trocado o Observador pelo Jornal de Notícias. A minha qualidade de vida melhorou substancialmente. Quase de certeza que o estudo está lá.
A questão é a seguinte: como a maioria dos indivíduos do tempo moderno falo ou escrevo antes de ler, investigar e pensar o suficiente. A única diferença é que admito em vez de me fazer de chica-esperta e dar conselhos.
Há quem diga que estas franquezas só podem ser tidas por quem não tem nada a perder. Por quem vale pouco ou nada. Normalmente quem pensa assim tem-se ridiculamente em muito boa conta e desconsidera os outros sem querer saber da verdade. Ou até compreende, mas prefere a desonestidade, a falsidade e a grosseria dissimulada militantes. São escolhas de vida.
Estes são problemas comuns e graves dos tempos modernos que ninguém quer saber. Há todo um mundo de aparências a manter. Não liguem, é muito maçador. Entediante mesmo. Além de irritante. Coisas de destravada que não tem nada a perder à luz das vidas fáceis, mimadas e egoístas que se dizem muito esforçadas e talentosas. Agradem. Rocem-se nos tiques de sabedoria mesmo que sejam ocos(as) e não percebam nem sintam o que dizem e escrevem. Mimetizem os badalos. Dêem o ar. Façam-se mais do que são. Vivam insuflados. Procurem sapiência cintilante com garantia de encosto e o sucesso estará assegurado.