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12/07/2024

Curta mexerufada: turismo de massas e denominador comum

A ideia seria escrever um postal agenda, já que me proporia desenvolver. Mas sendo muito provável que fique pela rama sai uma mexerufada rápida com duas ideias.


A primeira um lamiré acerca dos malefícios do turismo de massas. Só para recordar que as massas somos nós e não os outros. Verifico a tendência para apontar o dedo às chusmas de turistas por quem desejaria ser bafejado pelo privilégio de usufruir dos destinos em solidão ou na companhia de quem satisfizesse as necessidades do ego – de exclusividade. Ou incómodos pelos habitantes dos pontos de destino. É uma maçada isto da sobrepopulação do mundo, da subida do nível de vida no planeta e da democratização do bem-estar. E não quero deixar de registar que quem se tem pelo nec plus ultra (leia-se no sentido erróneo: o carapau de corrida) de viajante, limita-se a mimetizar os périplos de turistas intelectuais vip de cultura gourmet que rapidamente se transformarão em alvos das massas. É uma questão de tempo até o vosso destino exclusivo, que vos dá tanto ser, transformar-se num programa de viagem popular.


Creio ter sido na Ana Paula que usei a ideia de mínimo denominador comum em matéria de identidades, diversidade e causas fracturantes. Reitero. Em vez de dividir o mundo em barricadas é cada vez mais preciso encontrar um mínimo denominador/múltiplo comum. Isto é, na impossibilidade natural de todos se sentirem representados pela unidade (o denominador comum universal), há que encontrar os múltiplos comuns a cada grupo peculiar de natureza ou substância (o dos três, dos cinco ou qualquer outro), agregando por semelhança na base da obtenção de resultado diferente, por sentimento de pertença pela positiva e não por rejeição da diferença e aniquilação do díspar. De modo a que o mundo não se desfaça em individualismo demente com adesão singular a facções por mero oportunismo na satisfação de interesses egoístas – esse sim o gene da violência. Tudo é matemático. Tudo cabe no Universo. A origem da violência não está na forma – o espaço de eleição da leviandade -, como julgam os superficiais, mas na substância e na falta de respeito pelas peculiaridades naturais. Na vontade de as afogar em divisão por facções.


Boa sexta-feira.